Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Paciente que usava Ozempic perde visão e processa Novo Nordisk

Caso nos Estados Unidos envolve diagnóstico de NAION e questiona possíveis riscos associados à semaglutida, embora uma relação causal definitiva com o medicamento ainda não tenha sido estabelecida.

Um homem de Maryland afirma ter perdido a visão dos dois olhos após iniciar o uso de Ozempic para controlar o diabetes tipo 2 e decidiu processar a Novo Nordisk. Todd Engel relaciona os episódios ao medicamento, enquanto a farmacêutica sustenta que as evidências disponíveis não comprovam que a semaglutida provoque a condição ocular diagnosticada.

Processo coloca advertência no centro da disputa

O ponto principal da ação não está apenas na ocorrência dos dois episódios, mas na alegação de que médicos e pacientes deveriam ter recebido informações específicas sobre a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não-Arterítica, conhecida como NAION.

Essa condição pode causar perda visual súbita e permanente após uma redução do fluxo sanguíneo destinado ao nervo óptico.

Engel iniciou o tratamento em 2023 e recebeu o diagnóstico depois de perder completamente a visão do olho direito cerca de quatro meses mais tarde.

O medicamento permaneceu em uso após aquele primeiro episódio, enquanto uma possível ligação entre a semaglutida e a doença ocular ainda não fazia parte das informações consideradas pelo paciente durante o tratamento.

A situação mudou aproximadamente dez meses depois, quando a visão do outro olho também foi perdida de forma repentina e o Ozempic deixou de ser utilizado.

Avaliações médicas posteriores indicaram que não havia tratamento farmacológico ou procedimento cirúrgico capaz de recuperar a capacidade visual já comprometida.

O processo de Engel integra uma frente judicial mais ampla que reúne pacientes com alegações semelhantes envolvendo medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1.

Entre os argumentos apresentados nessas ações está a defesa de advertências mais explícitas sobre NAION, embora a simples ocorrência dos casos não estabeleça que os medicamentos tenham causado diretamente a doença.

Causalidade permanece sem definição

A principal controvérsia científica está justamente na diferença entre uma associação temporal e uma relação comprovada de causa e efeito.

O aparecimento de NAION após o uso de semaglutida pode justificar investigação adicional, mas não permite concluir isoladamente que o medicamento provocou a lesão ocular.

A Novo Nordisk contesta essa interpretação e afirma que os dados disponíveis até agora não demonstram aumento confirmado da incidência de Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não-Arterítica entre pacientes tratados com semaglutida.

A companhia também cita estudos clínicos randomizados e controlados nos quais poucos episódios da condição foram identificados entre os participantes acompanhados.

Mesmo sem reconhecer uma ligação causal, a farmacêutica afirma que continua monitorando registros relacionados à doença dentro de suas atividades regulares de farmacovigilância.

Essa vigilância permite acompanhar novos relatos depois que um medicamento alcança uma população muito maior do que aquela normalmente incluída nos estudos anteriores à comercialização.

A discussão judicial deverá, portanto, avançar sobre dois pontos diferentes, porque a ocorrência do dano visual precisa ser separada da obrigação de advertir sobre um risco ainda debatido cientificamente.

O caso chama atenção para essa diferença ao reunir uma perda irreversível alegada pelo paciente e uma relação com a semaglutida que permanece sem confirmação definitiva.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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