Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Tirzepatida pode reduzir risco cardiovascular em pacientes com diabetes, diz estudo

A comparação entre tirzepatida e sitagliptina mostrou diferença próxima de um terço no risco combinado de infarto, AVC ou morte ao longo do período analisado.

A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro e também presente no Zepbound, foi associada a uma redução relevante de eventos cardiovasculares, hospitalizações por infecções e mortes entre pacientes de maior risco clínico. Publicado no The BMJ, o estudo avaliou adultos com diabetes tipo 2, excesso de peso e doença cardiovascular, o que permitiu observar efeitos que ultrapassam a perda de peso normalmente relacionada ao medicamento.

Diferença aparece entre pacientes com alto risco cardiovascular

Os pesquisadores acompanharam quase 53 mil pessoas com pelo menos 40 anos, todas com um perfil marcado pela combinação de diabetes tipo 2, excesso de peso e doença cardiovascular.

Em vez de observar apenas alterações corporais ou controle do diabetes, a análise comparou a ocorrência de problemas clínicos relevantes entre usuários de tirzepatida e pacientes tratados com sitagliptina.

A sitagliptina pertence a uma geração mais antiga de medicamentos para diabetes e não faz parte da classe dos GLP-1, o que permitiu estabelecer outro parâmetro para a comparação.

Depois de um ano, o grupo que utilizou tirzepatida apresentou proporção menor de infarto, acidente vascular cerebral ou morte, com registro de 2,9% nesses desfechos combinados.

Entre aqueles que receberam sitagliptina, a frequência chegou a 4,4%, diferença que corresponde a uma redução próxima de um terço no risco observado pela pesquisa.

Os autores também traduziram essa distância em uma medida mais concreta, com a estimativa de que aproximadamente um caso de infarto, AVC ou morte poderia ser evitado a cada 70 pacientes tratados com tirzepatida.

Cerca de 35 mil integrantes da pesquisa usaram esse princípio ativo, o que formou o maior dos dois grupos avaliados ao longo do período.

Infecções graves também apresentaram resultados diferentes

Outro resultado relevante apareceu fora do campo estritamente cardiovascular, pois os usuários de tirzepatida tiveram menos complicações associadas a infecções bacterianas graves.

A frequência de internações por esse tipo de problema ficou cerca de um terço abaixo daquela observada entre pacientes que utilizavam sitagliptina.

Nesse recorte, os pesquisadores calcularam que uma hospitalização poderia ser evitada para aproximadamente cada 48 pessoas tratadas com tirzepatida nas condições analisadas.

A diferença também alcançou os casos mais graves, com redução de até 60% no risco de morte associada a infecções no grupo que recebeu o medicamento.

Quando todas as causas de morte foram consideradas em conjunto, a estimativa apontou que seria possível evitar um óbito para cada 122 pacientes tratados.

Os resultados ampliam o debate sobre o uso da tirzepatida porque colocam os possíveis efeitos cardiovasculares e infecciosos ao lado de benefícios já relacionados ao controle metabólico e à redução de peso.

Ainda assim, os números descritos pelo estudo se referem especificamente a pessoas com diabetes tipo 2, excesso de peso e doença cardiovascular, portanto não devem ser extrapolados automaticamente para outros perfis de pacientes.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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