Abandono de marítimos atinge recorde em 2025, alerta ITF
O abandono de marítimos aumentou 33% em 2025, com 158 casos registrados, evidenciando a necessidade urgente de reformas no setor. Apesar da ITF ter recuperado milhões em salários não pagos, a impunidade e as bandeiras de conveniência continuam a expor os trabalhadores a condições desumanas.
O abandono de marítimos está em ascensão, com um aumento de 33% nos casos registrados em 2025. A Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) destaca a urgência de reformas no setor, já que muitos trabalhadores de alto mar permanecem sem pagamento e sem acesso a necessidades básicas. O sistema de bandeiras de conveniência é apontado como um fator crítico nesse cenário.
Crescimento do abandono de marítimos
O abandono de marítimos é uma questão crescente e alarmante. Em 2025, a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) relatou um aumento significativo nos casos de abandono de tripulações em navios.
Até maio, foram registrados 158 casos, comparados aos 119 do mesmo período em 2024, refletindo um crescimento de quase 33%.
Este aumento revela uma tendência preocupante de negligência por parte dos armadores, que frequentemente deixam suas tripulações sem salários, alimentos, água e acesso a portos. Muitos desses trabalhadores ficam meses sem assistência, em condições desumanas.
Especialistas apontam que a falta de regulamentação eficaz e a impunidade dos armadores são fatores que contribuem para o aumento dos casos de abandono.
A ausência de um vínculo genuíno entre os navios e os estados de bandeira facilita essa prática, tornando essencial uma reforma urgente no setor para proteger os direitos dos trabalhadores marítimos.
Impactos humanitários e financeiros
Os impactos do abandono de marítimos são devastadores tanto em termos humanitários quanto financeiros.
Em primeiro lugar, os trabalhadores abandonados enfrentam condições precárias, frequentemente sem acesso a necessidades básicas como alimentação, água potável e cuidados médicos.
Isso não apenas coloca em risco a saúde e o bem-estar dos marítimos, mas também viola seus direitos fundamentais.
Financeiramente, o custo do abandono é significativo. Em 2024, a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) recuperou mais de 58,1 milhões de dólares em salários não pagos, dos quais 13,5 milhões foram destinados a marítimos abandonados.
No entanto, em 2025, a recuperação de salários para esses trabalhadores já ultrapassa 4,1 milhões de dólares, refletindo o aumento contínuo dos casos.
A situação também afeta a economia global, já que o abandono de navios pode interromper cadeias de suprimentos e aumentar os custos operacionais das empresas envolvidas.
A falta de regulamentação eficaz e a impunidade dos armadores exacerbam esses impactos, tornando urgente a necessidade de reformas para garantir a segurança e o bem-estar dos trabalhadores marítimos.
Bandeiras de conveniência: um problema sistêmico
As bandeiras de conveniência representam um problema sistêmico no setor marítimo, contribuindo significativamente para o aumento dos casos de abandono de marítimos.
Este sistema permite que armadores registrem seus navios em países que oferecem regulamentações mínimas, baixos impostos e pouca transparência sobre a propriedade real das embarcações.
Mais de 50% da frota mundial está registrada sob bandeiras de conveniência, com mais de 80% dos navios abandonados sob esse sistema.
Isso cria um ambiente propício para práticas exploratórias, onde os marítimos enfrentam salários baixos, longas jornadas de trabalho e condições inseguras.
Recentemente, a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF) adicionou Tuvalu e Guiné-Bissau à sua lista de bandeiras de conveniência, totalizando 45 países.
Esses estados são associados a “frotas-sombra” que transportam petróleo sancionado e evitam a fiscalização regulatória, exacerbando o problema.
Para combater essa prática, é essencial que cada embarcação tenha um vínculo genuíno e rastreável com seu verdadeiro proprietário, e que os reguladores sejam capacitados para deter e penalizar aqueles que abandonam suas tripulações.
Somente por meio de reformas e aplicação rigorosa da lei será possível erradicar o problema das bandeiras de conveniência e proteger os direitos dos trabalhadores marítimos.
Fonte: Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF)



