Chorume tóxico ameaça solos agrícolas na Inglaterra
O chorume tóxico de aterros, quando misturado ao esgoto e aplicado em terras agrícolas na Inglaterra, levanta sérias preocupações ambientais devido à presença de produtos químicos persistentes como PFAS, que contaminam solo e água, colocando em risco a saúde pública.
A questão do chorume tóxico gerado em aterros sanitários na Inglaterra está ganhando atenção devido ao seu impacto ambiental. Mais de 750 mil toneladas desse líquido são misturadas ao esgoto e espalhadas em terras agrícolas anualmente. Essa prática levanta preocupações sobre a segurança química e a contaminação do solo e da água.
Mistura de chorume e esgoto
A prática de misturar chorume de aterros com esgoto em estações de tratamento na Inglaterra tem despertado preocupações. Esse líquido, que escorre dos resíduos acumulados, contém uma combinação de substâncias químicas tóxicas.
Entre os compostos encontrados estão os chamados “químicos eternos” PFAS, além de PCBs, dioxinas, retardantes de chama e microplásticos.
Quando esse material é misturado ao esgoto doméstico e industrial, forma-se um lodo conhecido como biossólido, frequentemente utilizado como fertilizante agrícola.
O problema é que muitas dessas substâncias não são totalmente eliminadas no processo de tratamento e podem chegar aos rios ou se acumular nos solos onde o lodo é aplicado.
Especialistas alertam que isso representa risco à saúde humana e ao meio ambiente, já que os compostos podem se infiltrar na cadeia alimentar.
Na avaliação de pesquisadores, a mistura de chorume com esgoto funciona, na prática, como uma forma de diluir poluentes e dispersá-los.
Porém, essa estratégia não remove os perigos associados, permitindo que eles permaneçam ativos no ambiente por longos períodos.
Desafios regulatórios e de tratamento
O tratamento do chorume nas estações de esgoto do Reino Unido ainda enfrenta sérias limitações. Muitas dessas instalações não possuem tecnologia suficiente para remover contaminantes como os PFAS antes de o material ser transformado em biossólido e aplicado em áreas agrícolas.
A legislação também não acompanha a complexidade dos poluentes modernos, deixando lacunas que permitem a passagem de compostos nocivos sem o devido controle. Além disso, a falta de infraestrutura para pré-tratar o chorume antes de sua entrada no sistema agrava o problema.
Especialistas defendem investimentos em métodos mais avançados de filtragem e oxidação, além da criação de unidades específicas para tratar chorume de aterros, garantindo maior segurança no descarte.
Alternativas para a gestão de resíduos
Reduzir os impactos do chorume exige novas estratégias de tratamento e gestão. Tecnologias modernas, como membranas filtrantes e processos de oxidação, já demonstram capacidade de eliminar substâncias persistentes antes que atinjam o meio ambiente.
O monitoramento contínuo também é essencial. Testes regulares que avaliem não apenas metais pesados, mas também compostos orgânicos resistentes, permitem respostas rápidas e mais eficazes.
Outra frente importante é a redução da produção de resíduos, por meio da reciclagem e da reutilização de materiais. Essa prática diminui a quantidade de chorume gerada e reduz a pressão sobre aterros.
Por fim, especialistas reforçam a importância da conscientização social e do engajamento de governos e empresas para promover um modelo de gestão de resíduos mais sustentável, com foco na segurança ambiental e na proteção da saúde pública.
Fonte: The Guardian



