Riqueza no Brasil: 1% mais rico detém 37,3% da renda declarada
A concentração de riqueza no Brasil é alarmante, com 1% da população detendo 37,3% da renda declarada em 2023. A desigualdade é exacerbada por diferenças na renda e na tributação, além de persistirem desigualdades raciais e de gênero, com mulheres e minorias enfrentando barreiras econômicas significativas.
A concentração de riqueza no Brasil é alarmante, com o 1% mais rico da população detendo 37,3% da renda declarada à Receita Federal em 2023. Essa informação foi revelada por um relatório da Secretaria de Política Econômica, que analisa dados do Imposto de Renda e destaca as disparidades econômicas no país.
Concentração de riqueza no IRPF
A concentração de riqueza no Brasil é um fenômeno que vem sendo evidenciado através dos dados do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
O relatório da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda aponta que o 1% mais rico da população detém 37,3% da riqueza declarada em 2023.
Essa concentração é ainda mais acentuada quando analisamos os 10% mais ricos, que possuem 64,2% do total do patrimônio informado. Além disso, o estudo revela que os 5% mais ricos concentram 54,7% da riqueza.
Esses números indicam que uma parcela muito pequena da população controla uma fatia desproporcional dos recursos financeiros do país.
O relatório destaca que essa desigualdade pode ser subestimada, já que a classificação dos grupos é feita a partir da renda declarada, e não do patrimônio acumulado.
Isso significa que alguns contribuintes com grande volume de bens, mas baixa renda tributável, podem estar posicionados em faixas inferiores da distribuição de renda.
Diferenças na composição de renda
As diferenças na composição de renda entre os mais ricos são um dos fatores que explicam a desigualdade na tributação.
O relatório da Secretaria de Política Econômica (SPE) destaca que, entre o 0,1% mais rico, a renda é composta por apenas 5,8% de rendimentos tributáveis, enquanto 43,1% são de tributação exclusiva ou definitiva e 51,1% são isentos.
No caso do 0,01% mais rico, a situação é ainda mais acentuada, com apenas 2,3% de renda tributável. Os rendimentos exclusivos chegam a 55,8% e os isentos a 41,9%.
Esse padrão de composição afeta a progressividade do sistema tributário, já que a maior parte dos ganhos desse grupo não é tributada pela tabela tradicional do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
Essas diferenças na composição de renda resultam em uma alíquota efetiva mais baixa para os mais ricos, já que muitos dos seus rendimentos não são tributados ou são tributados a taxas mais baixas.
Isso contribui para a perda de progressividade no topo da distribuição de renda, onde, apesar das altas rendas, a proporção paga em impostos em relação ao total recebido é menor.
Desigualdade racial e de gênero
O relatório revela que, entre o 1% mais rico, 78,6% são brancos, enquanto pretos e pardos representam apenas 3,1% desse grupo. No extremo oposto da pirâmide, as mulheres negras são a maior parcela entre os 10% mais pobres.
Além disso, as mulheres, em geral, possuem um patrimônio médio 46,9% inferior ao dos homens. Elas representam 44,1% dos declarantes do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e respondem por 38% da renda total.
Como têm uma maior proporção de renda tributável e menos rendimentos isentos, as mulheres acabam pagando proporcionalmente mais Imposto de Renda do que os homens, mesmo quando possuem rendas semelhantes.
Esses dados evidenciam as barreiras estruturais que dificultam o acesso igualitário a oportunidades econômicas para mulheres e minorias raciais no Brasil.
A desigualdade racial e de gênero não só afeta a distribuição de renda e riqueza, mas também perpetua um ciclo de exclusão social e econômica.
Fonte: O Globo



