Economia e Negócios

Criação de empregos formais cai 25% no 1° semestre de 2026

A criação de empregos formais perdeu intensidade em 2026, enquanto o custo do crédito continuou a limitar investimentos e projetos de expansão.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que a abertura de vagas com carteira assinada desacelerou no Brasil durante os seis primeiros meses de 2026. O saldo positivo de 921.645 empregos ficou 25% abaixo de 2025 e evidenciou os efeitos dos juros altos, dos custos de produção e das incertezas econômicas sobre as decisões empresariais.

Geração de vagas perde força na comparação anual

O Brasil criou 921.645 empregos formais durante o primeiro semestre de 2026, volume 25% inferior ao saldo de 1,23 milhão registrado em 2025.

Esse resultado representou o desempenho mais fraco desde 2020, período marcado pelos efeitos econômicos e sociais provocados pela pandemia de Covid-19.

As alterações metodológicas introduzidas no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados também exigem cautela nas comparações com os resultados anteriores ao ano de 2020.

Em junho, o mercado formal acrescentou 145.161 vagas, número 10,4% menor que os aproximadamente 162 mil postos criados no mesmo mês de 2025.

O setor de serviços liderou a geração mensal, com 74.514 novos empregos, resultado superior aos saldos observados nas demais atividades econômicas pesquisadas.

A agropecuária abriu 22.898 vagas, favorecida pela produção rural e pelas exportações, apesar das oscilações presentes nos mercados internacionais de produtos agrícolas.

O comércio criou 19.177 postos, enquanto a indústria adicionou 14.438 oportunidades e a construção civil apresentou saldo positivo de 14.136 empregos.

Embora todos os principais setores tenham ampliado seus quadros, os números revelaram menor intensidade nas admissões e maior cautela nas decisões empresariais de contratação.

Juros elevados limitam investimentos e novas contratações

A manutenção da taxa Selic em patamar elevado aumentou o custo do crédito e reduziu o espaço financeiro disponível para projetos empresariais de expansão.

Diante de financiamentos mais caros, muitas companhias adiaram compras de equipamentos, abertura de unidades e investimentos capazes de criar postos formais de trabalho.

A política monetária procura controlar a inflação e preservar o poder de compra, mas seus efeitos também alcançam diretamente o consumo e a atividade produtiva.

Famílias com acesso mais restrito ao crédito diminuem despesas de maior valor, situação que reduz vendas e enfraquece as perspectivas de contratação das empresas.

Tarifas internacionais, conflitos geopolíticos e oscilações nos mercados externos acrescentaram incertezas ao cenário econômico enfrentado pelos empregadores durante o primeiro semestre.

Uma redução mais intensa dos juros poderia favorecer investimentos e contratações, embora o Banco Central precise evitar novos desequilíbrios nos índices de preços.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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