EUA ampliam barreiras contra o Canadá com veto a laticínios, álcool e motos
A ampliação das barreiras contra o Canadá levou Ottawa a reforçar uma estratégia de menor dependência dos Estados Unidos, com prioridade para a produção doméstica e novos parceiros comerciais.
Laticínios, bebidas alcoólicas e motocicletas do Canadá passaram a integrar a nova ofensiva comercial dos Estados Unidos, que decidiu impedir a entrada desses produtos no mercado estadunidense. O anúncio reforça a deterioração das relações econômicas entre os países, após uma sequência de tarifas e retaliações que atingiu diferentes setores dos dois lados da fronteira.
EUA ampliam restrições comerciais contra o Canadá
Os Estados Unidos anunciaram a proibição de produtos lácteos, grande parte das bebidas alcoólicas e motocicletas do Canadá, com aplicação prevista para começar dentro de três semanas.
A medida amplia o conflito comercial iniciado pelas taxações estadunidenses, que já haviam alcançado parte das importações canadenses antes da adoção das primeiras respostas econômicas por Ottawa.
Em 22 de agosto, Washington aplicou tarifas de 50% sobre determinadas mercadorias do país vizinho, movimento que abriu uma fase mais agressiva nas relações comerciais entre parceiros historicamente integrados.
O governo Trump também decidiu impedir a participação de produtos canadenses em grandes contratos públicos federais de longo prazo, o que estende as restrições para além do comércio tradicional.
A exclusão permanecerá enquanto a administração estadunidense considerar insuficiente o acesso de seus próprios produtos ao mercado canadense nas áreas abrangidas pelas divergências comerciais atuais.
Os atritos entre as duas economias não começaram neste episódio, pois laticínios e madeira serrada acumulam disputas comerciais antigas, mesmo após décadas de intensa cooperação bilateral.
A tensão política também ganhou espaço durante o atual governo Trump, após o presidente mencionar repetidas vezes a possibilidade de transformar o Canadá no 51º estado dos Estados Unidos.
Canadá responde com tarifas e busca outros mercados
O Canadá reagiu às primeiras medidas estadunidenses com tarifas sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em importações, sem sinalizar recuo após o anúncio das novas restrições adotadas por Washington.
As alíquotas estabelecidas por Ottawa variam entre 15%, 25% e 50% e atingem centenas de produtos, entre eles aço, alumínio, queijos, roupas, cosméticos e máquinas agrícolas.
Eletrodomésticos também fazem parte da relação de mercadorias afetadas, o que amplia o alcance das medidas canadenses sobre setores industriais e bens destinados ao consumo doméstico.
Em outra frente da disputa, algumas províncias canadenses proibiram a comercialização de bebidas alcoólicas produzidas nos Estados Unidos, decisão que atingiu diretamente fornecedores estadunidenses desse mercado.
O governo canadense mantém a estratégia mesmo após o endurecimento de Washington e pretende reforçar a produção doméstica enquanto procura ampliar relações econômicas com outros parceiros internacionais.
O primeiro-ministro Mark Carney defende menor dependência dos Estados Unidos, orientação que coloca a diversificação comercial entre as prioridades do Canadá diante do atual conflito bilateral.
Essa mudança ocorre em uma relação marcada historicamente por proximidade econômica, política e estratégica, mas que enfrenta uma deterioração acelerada com o avanço das restrições adotadas pelos dois países.



