EUA e Canadá retomam guerra tarifária após fracasso de acordo
Guerra tarifária entre EUA e Canadá amplia riscos para aço, laticínios, veículos, eletrônicos e outras cadeias integradas.
O avanço inicial das conversas entre Estados Unidos e Canadá não foi suficiente para impedir uma nova escalada comercial entre os dois países. Depois de uma breve suspensão, Washington retomou tarifas de 50% sobre produtos canadenses, enquanto Ottawa anunciou uma resposta proporcional que deve atingir setores importantes da economia estadunidense a partir de setembro.
EUA retomam tarifa de 50% contra o Canadá
Após avançarem nas negociações para um acordo comercial, Estados Unidos e Canadá não conseguiram concluir um entendimento capaz de evitar a retomada das tarifas impostas por Washington.
Com o fracasso das conversas, o governo de Donald Trump restabeleceu uma alíquota de 50% sobre produtos canadenses, medida que entrou em vigor após uma suspensão temporária de três dias.
A administração estadunidense afirma que Ottawa rejeitou os termos finais de uma proposta que, na avaliação dos Estados Unidos, ampliaria o acesso canadense ao mercado e reduziria barreiras comerciais.
Entre os pontos de divergência estavam concessões ligadas à Seção 232 da legislação comercial dos Estados Unidos, instrumento utilizado para aplicar tarifas sob justificativa de segurança nacional.
O governo Trump também sustentou que o acordo em discussão oferecia condições mais favoráveis para veículos canadenses, além de tratar das medidas de retaliação já adotadas por Ottawa.
Com a retomada das tarifas, setores altamente integrados entre os dois países voltam a enfrentar maior incerteza sobre custos, cadeias de abastecimento e decisões de investimento.
Até o momento, não há previsão de novas rodadas de negociação, o que amplia o risco de uma disputa comercial mais prolongada entre dois dos principais parceiros econômicos da América do Norte.
Canadá prepara retaliação a partir de setembro
Em resposta às tarifas estadunidenses, o primeiro-ministro Mark Carney anunciou que o Canadá aplicará novas medidas contra produtos dos Estados Unidos a partir de 8 de setembro.
A reação canadense deve alcançar aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, celulose, papel e eletrônicos, setores com participação relevante no comércio bilateral.
Carney afirmou que o país pretende responder de forma equivalente às cobranças impostas pelos Estados Unidos, com foco na proteção de empresas, trabalhadores e cadeias produtivas nacionais.
A decisão representa uma mudança importante em relação aos dias anteriores, quando Washington e Ottawa aparentavam estar próximos de um entendimento capaz de reduzir a tensão tarifária.
Com a retaliação prevista para setembro, empresas dos dois lados da fronteira passam a enfrentar um cenário de custos maiores e menor previsibilidade para contratos e fornecimento.



