Economia e Negócios

82% das famílias brasileiras estão endividadas, aponta CNC

O levantamento mostra que as famílias brasileiras estão endividadas em proporção recorde, com maior pressão sobre os lares que possuem renda mais baixa.

O endividamento alcançou 82% das famílias brasileiras em julho, maior nível da série da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), enquanto a inadimplência recuou de 29,9% para 29,8%. O contraste mostra que o volume de compromissos financeiros continua elevado mesmo com uma pequena melhora entre os consumidores que possuem contas em atraso.

Dívidas avançam mesmo com leve melhora nos atrasos

O comprometimento financeiro das famílias brasileiras alcançou um nível recorde em julho, quando 82% dos lares declararam possuir algum tipo de dívida.

Os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que o problema não se limita aos pagamentos atrasados, pois o volume de famílias com compromissos ativos continua elevado.

Nesse contexto, a expansão do crédito parcelado ajuda a explicar parte do movimento, especialmente em despesas que antes eram pagas de forma integral no mês.

Cartão de crédito, empréstimos, financiamentos, cheque especial e carnês aparecem entre os principais instrumentos usados para sustentar consumo e despesas correntes.

O custo dessas modalidades amplia o risco para os consumidores, sobretudo quando a renda não cresce no mesmo ritmo das parcelas assumidas ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, a inadimplência apresentou pequena redução, de 29,9% para 29,8%, o que indica um cenário menos negativo nos atrasos, mas ainda distante de uma melhora consistente.

Baixa renda concentra maior vulnerabilidade financeira

A pressão é mais intensa entre as famílias com menor capacidade de renda, grupo no qual o endividamento chegou a 84,9% em julho.

Esse recorte revela uma situação mais delicada porque parte desses consumidores utiliza crédito para manter despesas essenciais, o que reduz a margem disponível para imprevistos.

Entre os lares de renda mais baixa, 17,8% afirmaram não ter condições de regularizar os débitos vencidos, percentual que mostra uma dificuldade financeira mais profunda.

Além disso, 19% das famílias brasileiras destinam mais da metade da renda mensal ao pagamento de dívidas, proporção que limita o espaço para consumo e poupança.

Esse nível de comprometimento também aumenta a exposição a choques de curto prazo, como perda de renda, aumento de preços ou novas despesas domésticas.

Desenrola 2.0 atua sobre estoques antigos de dívida

O Desenrola 2.0 aparece como uma tentativa de reduzir parte desse passivo ao oferecer condições para renegociação de compromissos vencidos.

A pequena melhora da inadimplência após os primeiros meses do programa sugere algum efeito sobre famílias que conseguiram reorganizar débitos acumulados.

Apesar disso, o crescimento do endividamento mostra que a renegociação resolve apenas uma parte do problema, porque novos compromissos continuam entrando no orçamento.

A principal dificuldade está no equilíbrio entre renda, custo do crédito e volume de parcelas, especialmente entre consumidores que dependem de financiamento para despesas recorrentes.

Por isso, a redução mais consistente da pressão financeira dependerá não apenas de acordos sobre dívidas antigas, mas também de condições econômicas que diminuam a necessidade de recorrer ao crédito com tanta frequência.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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