Índice de Preços de Alimentos da FAO fica estável em agosto
O Índice de Preços de Alimentos da FAO permaneceu estável em agosto, com aumentos nos preços de carnes, açúcar e óleos vegetais, enquanto os preços de cereais e laticínios apresentaram queda. A produção global de cereais deve alcançar um recorde em 2025, apesar dos desafios relacionados ao uso de fertilizantes.
O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) manteve-se praticamente inalterado em agosto, com aumentos nos preços de carnes, açúcar e óleos vegetais compensando quedas em cereais e laticínios. Este equilíbrio reflete as complexas dinâmicas globais de oferta e demanda de alimentos.
Aumentos e quedas nos preços dos alimentos
O acompanhamento internacional dos preços dos alimentos mostrou estabilidade geral em agosto, mas com variações relevantes entre os diferentes grupos.
As carnes apresentaram alta, impulsionadas pela forte demanda nos Estados Unidos e pelas importações robustas da China, que valorizaram as exportações da Austrália e do Brasil.
O açúcar também subiu, avançando após cinco meses consecutivos de queda, em meio a preocupações com a produção de cana no Brasil e ao aumento da procura global.
Os cereais tiveram recuo de 0,8% em relação a julho, puxados principalmente pela queda do trigo, favorecida por colheitas maiores na União Europeia e na Rússia.
Em contrapartida, o milho registrou avanço, influenciado pela maior demanda para ração animal e para a produção de etanol nos Estados Unidos.
Entre os óleos vegetais, houve crescimento de 1,4%, alcançando o maior patamar em mais de três anos. A valorização de produtos como palma, girassol e canola foi estimulada, em parte, pela decisão da Indonésia de ampliar seu programa de biodiesel no próximo ano.
Já os laticínios recuaram 1,3% em agosto, com quedas nas cotações de manteiga, queijo e leite em pó integral, resultado da menor demanda de importação em mercados asiáticos.
Produção global de cereais em alta
A produção global de cereais está em ascensão, com previsões otimistas divulgadas pela FAO. Para 2025, espera-se que a produção global de cereais atinja um recorde de 2.961 milhões de toneladas, um aumento de 3,5% em relação ao ano anterior.
Este crescimento é atribuído principalmente ao aumento significativo nas previsões de produção de milho no Brasil e nos Estados Unidos.
Os grãos grossos, que incluem o milho, devem chegar a 1.601 milhões de toneladas, representando um aumento de 5,9% em relação a 2024. Este crescimento inclui uma notável elevação na produção de sorgo.
Por outro lado, a previsão para a produção mundial de trigo foi ajustada para baixo, totalizando 804,9 milhões de toneladas, ainda assim 0,8% acima do ano anterior.
As perspectivas de rendimento mais baixas na China, devido a condições climáticas, foram compensadas por rendimentos mais altos na União Europeia.
A produção mundial de arroz também deve aumentar chegando a um recorde de 555,5 milhões de toneladas. Expansões em países como Bangladesh, Brasil, China, Índia e, notavelmente, Indonésia, devem mais do que compensar os declínios esperados em Madagascar, Nepal, Estados Unidos e Tailândia.
O uso total de cereais no período 2025/26 está previsto para aumentar para 2.922 milhões de toneladas, um acréscimo de 1,6% em relação ao ano anterior. Este aumento é impulsionado, em parte, pelo uso crescente de milho e trigo para alimentação animal e aquicultura.



