Economia e Negócios

IPCA de junho desacelera e fica em 0,16%

O IPCA de junho refletiu a pressão da energia elétrica sobre o orçamento doméstico, ao mesmo tempo que a queda de alguns alimentos ajudou a conter o índice. O resultado nacional reuniu impactos desiguais entre capitais e grupos de consumo.

A inflação brasileira desacelerou de forma significativa em junho, apesar da continuidade de pressões sobre despesas ligadas à moradia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia registrado 0,58% em maio, antes de recuar para 0,16% no mês seguinte. O resultado também mostrou diferenças regionais relevantes, com Brasília apresentando a maior alta e Recife registrando a menor variação.

Queda dos alimentos limita inflação de junho

A inflação oficial apresentou avanço moderado em junho, com alta de 0,16%, após um mês marcado por pressões mais intensas sobre o orçamento das famílias.

O resultado refletiu, principalmente, a redução dos preços de alimentação e bebidas, grupo que passou de 1,33% de alta em maio para queda de 0,24% em junho.

Entre os produtos consumidos dentro das residências, café moído, frutas e carnes ficaram mais baratos e contribuíram para aliviar parte das despesas domésticas.

No entanto, esse movimento não alcançou todos os alimentos, pois o feijão-carioca avançou 8,31% e a batata-inglesa apresentou aumento de 3,57% no período.

As refeições fora de casa continuaram mais caras, embora os preços de lanches e refeições tenham avançado em ritmo menor durante junho.

Contas de moradia exercem a maior pressão do mês

Enquanto os alimentos ajudaram a reduzir o índice, os custos relacionados à habitação exerceram a principal pressão inflacionária entre os grupos pesquisados.

A categoria subiu 0,63%, com destaque para a energia elétrica residencial, responsável pelo maior impacto individual na composição do resultado mensal.

As contas de luz incorporaram reajustes tarifários em diferentes capitais, além do custo adicional associado à manutenção da bandeira amarela.

Também houve aumento nas tarifas de água e esgoto em algumas localidades, enquanto a redução do gás encanado ofereceu alívio parcial aos consumidores.

Despesas pessoais e cuidados com a saúde registraram altas mais contidas, com influência de serviços domésticos, salões de beleza, perfumes e planos médicos.

Passagens aéreas pressionam transportes

Os transportes avançaram 0,17% em junho, resultado que reuniu uma forte elevação nas passagens aéreas e uma redução generalizada nos combustíveis.

O preço das viagens de avião subiu 7,12%, enquanto etanol, óleo diesel, gás veicular e gasolina apresentaram recuos na média nacional.

Brasília teve a maior variação entre as regiões analisadas, com alta de 0,52%, influenciada pelas passagens aéreas e pelo encarecimento da gasolina.

Recife ocupou o extremo oposto, com queda de 0,04%, favorecida principalmente pelas reduções nos preços do tomate e da gasolina.

Ao final do primeiro semestre, o IPCA acumulou alta de 3,36%, enquanto a variação dos últimos doze meses ficou em 4,64%.

O resultado de junho também ficou abaixo da taxa de 0,24% registrada no mesmo mês de 2025, o que reforça a menor pressão inflacionária no período.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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