Indústria e Tendências

Abates de bovinos no Brasil devem cair 9% em 2026

Em 2025, os abates de bovinos no Brasil devem aumentar 2,9% devido a exportações recordes e ao abate de fêmeas, mas em 2026, espera-se uma queda de 9% na produção, influenciada pela menor reposição de rebanho e redução do consumo interno.

Os abates de bovinos no Brasil deverão aumentar em 2025, impulsionados por uma demanda crescente nas exportações. No entanto, a consultoria Datagro projeta uma queda significativa para 2026, após o pico de abates de fêmeas. Este movimento reflete as tendências do mercado global de carne bovina.

Setor bovino prevê recorde em 2025 e queda em 2026

O setor de pecuária bovina no Brasil deve registrar um crescimento expressivo em 2025, com expectativa de que os abates ultrapassem 40,8 milhões de cabeças, segundo estimativas da consultoria Datagro.

O número representa um aumento de 2,9% em relação ao ano anterior e reflete, sobretudo, a força das exportações, que devem alcançar alta de 7,7% e bater recordes históricos.

A estratégia das indústrias de direcionar um volume maior de fêmeas para o abate é vista como decisiva para atender à crescente demanda internacional, em especial em mercados asiáticos, onde o consumo de proteína animal segue em expansão.

Especialistas alertam, porém, que essa prática pode trazer reflexos importantes no médio prazo. Ao comprometer a reposição do rebanho, o maior volume de fêmeas abatidas em 2025 deve reduzir a oferta de animais no ano seguinte.

As projeções já apontam para uma queda de mais de 9% nos abates em 2026, totalizando cerca de 37,1 milhões de cabeças.

A tendência sinaliza os desafios de conciliar o atendimento imediato às exportações com a necessidade de sustentabilidade da pecuária a longo prazo.

Além do impacto direto na produção, o consumo doméstico de carne bovina deve recuar em 2026. O Datagro prevê retração de 9,4%, movimento influenciado tanto por questões econômicas quanto pela busca crescente dos consumidores por proteínas alternativas.

Esse cenário reforça a necessidade de estratégias equilibradas para o setor, que precisa atender ao mercado internacional sem comprometer a oferta interna nem o futuro do rebanho brasileiro.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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