Indústria e Tendências

Navio com bovinos do Uruguai atraca na Líbia após dois meses

O navio Spiridon II, que transportava bovinos do Uruguai, não conseguiu desembarcar na Turquia devido à falta de identificação eletrônica dos animais, gerando preocupações sobre as condições sanitárias e o bem-estar animal. A ONG Animal Welfare Foundation pediu uma investigação internacional.

Um carregamento de quase três mil bovinos que deixou o Uruguai há cerca de dois meses finalmente desembarcou em território líbio, mas as informações sobre a viagem são divergentes. Enquanto autoridades do Uruguai afirmam que os animais chegaram em boas condições, entidades independentes relatam mortes e partos durante o trajeto, ampliando questionamentos sobre o bem-estar no transporte marítimo de gado.

Uruguai e ONG divergem sobre viagem de bovinos

O navio que transportava cerca de três mil bovinos do Uruguai finalmente atracou em território líbio após uma viagem que se estendeu por aproximadamente dois meses.

A chegada foi confirmada pelo Ministério da Agricultura do Uruguai, que informou ter recebido comunicação do comandante da embarcação assegurando que os animais desembarcaram em bom estado geral.

A versão oficial, porém, contrasta com os dados divulgados pela organização Animal Welfare Foundation, que monitora a rota. Segundo a entidade, 58 animais morreram durante a travessia.

A ONG também relatou o nascimento de cerca de 140 bezerros a bordo, informação coletada por meio de acompanhamento remoto, já que não houve acesso direto ao interior do navio ao longo do trajeto.

A divergência entre os relatos reacende o debate sobre o transporte marítimo de animais vivos e a necessidade de maior transparência na fiscalização dessas operações.

Impasses no desembarque de bovinos

O recente caso do navio Spiridon II, que transportava quase 3 mil bovinos do Uruguai para a Turquia, destaca os desafios enfrentados no desembarque de animais vivos.

A embarcação não recebeu autorização das autoridades turcas para descarregar os animais devido à ausência de brincos ou chips eletrônicos em parte do rebanho.

Esse impasse resultou em uma espera de três semanas, durante as quais o navio permaneceu ancorado com os bovinos a bordo.

As autoridades uruguaias, no entanto, asseguram que o processo de embarque seguiu rigorosos protocolos sanitários, incluindo acordos bilaterais, quarentena e testes de saúde.

A situação gerou preocupações sobre o bem-estar dos animais, especialmente em relação à disponibilidade de alimentos e água durante o tempo em que permaneceram no navio.

O caso também chamou a atenção de entidades de defesa dos direitos dos animais, que pedem uma investigação mais aprofundada sobre as condições de transporte e desembarque.

Reações de entidades de defesa animal

A reação das entidades de defesa animal ao caso do navio Spiridon II foi imediata e contundente. A Animal Welfare Foundation, uma das principais organizações envolvidas, manifestou sérias preocupações sobre o bem-estar dos bovinos durante o período em que permaneceram a bordo.

A ONG suspeita que o navio tenha realizado o descarte inadequado de carcaças e expressou preocupações sobre a falta de ração e cuidados veterinários adequados para os animais.

Em resposta, a entidade solicitou uma investigação internacional, a ser conduzida pela Organização Mundial de Saúde Animal, para apurar as condições durante a viagem e após o desembarque na Líbia.

Além disso, a ONG defende a proibição do transporte de animais vivos em alto-mar, argumentando que tais práticas podem comprometer o bem-estar animal e resultar em situações de sofrimento desnecessário.

Essa posição reflete um crescente movimento global que busca alternativas mais éticas e sustentáveis para o transporte de gado.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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