Confiança da indústria recua para 44,9 pontos em setembro
Recuo do ICEI prolonga quadro negativo e reforça preocupação com a economia, enquanto empresas preservam expectativa ligeiramente positiva sobre o próprio desempenho
A confiança da indústria brasileira voltou a perder força em setembro, interrompendo qualquer possibilidade de recuperação mais consistente após oscilações observadas ao longo de 2026. O resultado, divulgado pela CNI, mantém o setor em uma faixa de pessimismo prolongado e amplia a possibilidade de decisões mais conservadoras sobre produção, investimentos e abertura de vagas nos próximos meses.
Setembro amplia distância da faixa de confiança
O ICEI terminou setembro em 44,9 pontos, após perder 1,4 ponto no mês, resultado que mantém a percepção empresarial distante dos 50 pontos necessários para indicar confiança.
A piora, porém, não aparece da mesma forma em todos os componentes, já que a avaliação sobre o futuro das próprias companhias ainda permanece em território positivo.
Mesmo após recuar para 51,3 pontos, a expectativa específica sobre as empresas continua acima da linha divisória, sinal de que parte dos industriais enxerga possibilidade de desempenho favorável dentro do próprio negócio.
Essa visão contrasta com a percepção sobre a economia brasileira, que permanece muito mais deteriorada e limita uma recuperação abrangente do indicador.
A leitura sobre o cenário econômico atual caiu para 33 pontos em setembro, movimento que representa uma das principais fontes de pressão sobre a confiança empresarial.
O resultado mostra que a avaliação macroeconômica se tornou mais negativa justamente em um momento no qual parte das companhias ainda preserva alguma expectativa de evolução própria.
Esse contraste também aparece no retrato das condições presentes, cujo indicador alcançou 40,2 pontos, enquanto a avaliação específica das empresas ficou em 43,8.
Ambos permanecem em campo negativo, mas a diferença revela uma percepção mais severa sobre o ambiente econômico do que sobre a situação interna dos negócios.
Pessimismo atravessa quase dois anos
A perda observada em setembro prolonga uma sequência que já alcança 21 meses consecutivos de falta de confiança entre os empresários industriais.
Trata-se do período mais extenso desde 2015 e 2016, o que mostra que as melhorias pontuais registradas durante 2026 não conseguiram alterar de maneira duradoura o sentimento do setor.
As expectativas gerais também permanecem abaixo da faixa positiva, com o indicador recuando para 47,2 pontos no mês.
Dentro desse conjunto, a visão sobre a economia brasileira ficou em 39,1 pontos, enquanto as próprias empresas continuaram recebendo uma avaliação comparativamente mais favorável.
A persistência dessa diferença sugere que os empresários ainda enxergam alguma capacidade de reação dentro das companhias, mesmo sem identificar melhora equivalente no ambiente econômico mais amplo.
Essa combinação tende a produzir decisões mais seletivas, sobretudo quando novos projetos exigem compromissos financeiros de prazo maior.
Caso o pessimismo permaneça por mais tempo, a indústria pode reforçar uma postura conservadora diante de investimentos, abertura de vagas e ampliação da produção.
O ICEI não antecipa sozinho essas decisões, mas ajuda a mostrar quanto espaço os empresários percebem para assumir riscos em um cenário que ainda inspira pouca confiança.



