Indústria e Tendências

Crédito para indústria de transformação cai 40% em 12 anos, revela CNI

Entre 2012 e 2024, o crédito para indústria de transformação no Brasil caiu 40%, enquanto o crédito para consumidores aumentou 97%, segundo a CNI. Essa mudança favoreceu o consumo, mas prejudicou o investimento industrial, limitando a modernização e aumentando a dependência de importações.

O crédito para a indústria de transformação no Brasil caiu 40% entre 2012 e 2024, segundo a CNI. Enquanto isso, o crédito para consumidores aumentou 97% no mesmo período. Essa mudança no direcionamento do crédito tem gerado preocupações sobre o impacto no crescimento econômico e na competitividade da indústria nacional.

Financiamento à indústria recua e crédito ao consumo dispara

O crédito voltado à indústria de transformação no Brasil encolheu 40% nos últimos 12 anos, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento aponta que os bancos passaram a direcionar seus financiamentos para o consumo, reduzindo os recursos destinados à produção.

A retração é mais acentuada nos financiamentos de médio e longo prazos. Entre 2012 e 2024, o crédito de médio prazo caiu 55%, enquanto o de longo prazo recuou 64%.

Como resultado, o crédito de curto prazo passou a representar 82% do total concedido à indústria de transformação em 2024.

A limitação no acesso a financiamentos afeta a capacidade de investimento do setor, restringindo a modernização de fábricas, a adoção de novas tecnologias e o aumento da competitividade da produção nacional.

A escassez de crédito também contribui para maior dependência de importações, enfraquecendo o desempenho da indústria brasileira no comércio exterior.

Em sentido oposto, o crédito para consumidores cresceu 97% no mesmo período. O volume destinado às famílias subiu de 45% para 63% do total disponível no sistema financeiro, estimulando o consumo interno.

Apesar disso, o avanço não foi acompanhado por investimentos produtivos equivalentes, o que ampliou o desequilíbrio entre oferta e demanda e favoreceu o aumento das importações.

Impactos econômicos do desequilíbrio

O desequilíbrio entre o crédito ao consumo e o crédito à produção tem gerado impactos econômicos significativos no Brasil.

A priorização do crédito para consumidores em detrimento do crédito para a indústria resultou em uma estrutura econômica menos sustentável, com efeitos negativos sobre o crescimento de longo prazo.

Sem acesso adequado ao crédito de médio e longo prazos, a indústria enfrenta dificuldades para investir em inovação e modernização.

Isso limita a capacidade produtiva e aumenta a dependência de importações, fragilizando a balança comercial e reduzindo a competitividade do setor no cenário internacional.

Além disso, a pressão inflacionária é intensificada pelo aumento do consumo financiado, sem o correspondente crescimento na produção.

Essa situação pode levar a um ciclo de endividamento das famílias, enquanto a indústria luta para se manter competitiva em um mercado cada vez mais globalizado.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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