Ocupação industrial cresce em 2023, mas cai 3,1% em dez anos
Em 2023, a indústria brasileira alcançou 8,5 milhões de trabalhadores, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento, embora tenha visto uma queda de 3,1% em uma década. A indústria alimentícia se destaca em emprego e receita.
A ocupação industrial brasileira cresceu pelo quarto ano consecutivo em 2023, com 8,5 milhões de pessoas empregadas, segundo dados divulgados pelo IBGE. No entanto, houve uma queda de 3,1% na ocupação total desde 2014. A indústria alimentícia se destaca, liderando a participação no mercado e contribuindo significativamente para a receita líquida de vendas.
Crescimento da ocupação industrial em 2023
Em 2023, a indústria brasileira registrou um aumento significativo no número de pessoas ocupadas, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento.
O setor empregou 8,5 milhões de trabalhadores, um incremento que reflete a recuperação gradual após os desafios enfrentados na última década.
Esse crescimento é impulsionado principalmente pela Fabricação de produtos alimentícios, que se consolidou como a atividade com mais trabalhadores, empregando cerca de 2,0 milhões de pessoas.
Este segmento não só lidera em número de ocupados, mas também em participação na receita líquida de vendas, demonstrando sua importância para a economia nacional.
Além disso, as Indústrias de transformação continuam a ser o principal motor da ocupação industrial, representando 97,2% do total de empregos no setor.
A estabilidade na participação das Indústrias de transformação e a leve recuperação nas Indústrias extrativas, que ganharam 12,4 mil novos postos, são indicativos de uma retomada econômica sólida.
O crescimento observado desde 2019, com um aumento de 910,9 mil postos de trabalho, destaca a resiliência do setor industrial brasileiro, que vem se adaptando e evoluindo para atender às demandas do mercado e superar as adversidades econômicas.
Indústria alimentícia lidera participação
A indústria alimentícia reafirmou sua posição de destaque em 2023, liderando a participação na ocupação industrial e na receita líquida de vendas.
Com 2,0 milhões de pessoas empregadas, o setor representa 23,6% do total de trabalhadores na indústria brasileira, evidenciando sua importância estratégica para a economia nacional.
Além de ser o maior empregador, a Fabricação de produtos alimentícios também contribuiu com 23,6% da receita líquida de vendas do setor.
Este desempenho robusto é resultado do aumento da demanda por alimentos e bebidas, tanto no mercado interno quanto nas exportações, impulsionando a produção e a geração de empregos.
Nos últimos dez anos, o setor alimentício foi o que mais ganhou participação, com um crescimento de 4,1 pontos percentuais.
Este avanço reflete não só o aumento da produção, mas também a eficiência e inovação contínuas que têm caracterizado as operações no setor, garantindo sua competitividade em um mercado globalizado.
O protagonismo da indústria alimentícia é ainda mais relevante quando se considera o cenário de retração em outros segmentos industriais.
Este setor tem se mostrado resiliente, adaptando-se rapidamente às mudanças nas preferências dos consumidores e às novas exigências de sustentabilidade e segurança alimentar.
Transformação industrial e extrativas
Em 2023, as Indústrias de transformação e Indústrias extrativas desempenharam papéis cruciais na estrutura da indústria brasileira.
As Indústrias de transformação foram responsáveis por 97,2% dos empregos no setor, consolidando-se como a principal fonte de ocupação, enquanto as Indústrias extrativas contribuíram com 2,8%.
As Indústrias de transformação, que abrangem uma ampla gama de atividades, desde a fabricação de alimentos até a produção de veículos, são essenciais para a geração de valor agregado e a diversificação econômica.
Em 2023, geraram R$ 6,0 trilhões em receita líquida de vendas, representando 92,8% do total da indústria, apesar de uma leve redução de 2,4 pontos percentuais em participação desde 2014.
Por outro lado, as Indústrias extrativas, embora menores em termos de emprego, desempenham um papel estratégico na economia, especialmente em regiões ricas em recursos naturais.
Em 2023, geraram R$ 457,7 bilhões em receita líquida de vendas, destacando-se na extração de petróleo e gás natural, que tem visto um aumento significativo em sua participação no Valor de Transformação Industrial (VTI), subindo para 11,5%.
Ambos os segmentos enfrentam desafios distintos: enquanto as Indústrias de transformação lidam com a necessidade de inovação e modernização para se manterem competitivas, as Indústrias extrativas devem equilibrar a exploração de recursos com práticas sustentáveis e responsabilidade ambiental.
Variação regional no valor de transformação
Em 2023, a variação regional no Valor de Transformação Industrial (VTI) destacou as diferenças na contribuição das regiões brasileiras para a indústria nacional. O Sudeste liderou com 60,9% do VTI, seguido pelo Sul (18,7%), Nordeste (8,2%), Norte (6,2%) e Centro-Oeste (6,1%).
O Sudeste, com sua infraestrutura consolidada e diversificação industrial, continuou a ser o motor econômico do país. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram os principais contribuintes, com destaque para a indústria de petróleo e gás natural, especialmente no Rio de Janeiro.
No Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina mostraram forte participação, com ênfase na indústria alimentícia e de máquinas e equipamentos voltados para a agropecuária. Essa região se beneficia de uma base industrial diversificada e de uma forte tradição exportadora.
O Nordeste, liderado pela Bahia e Pernambuco, mostrou uma variação interessante, com Pernambuco ganhando relevância, especialmente na indústria de petróleo. A Bahia, embora ainda líder, perdeu participação nos últimos anos.
No Norte, Amazonas e Pará foram responsáveis por 91,8% do VTI regional. A mineração e a indústria de produtos eletrônicos e de informática são setores chave, embora o Amazonas tenha perdido alguma representatividade.
O Centro-Oeste destacou-se pelo potencial exportador da agroindústria, com Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul liderando a produção de alimentos e biocombustíveis. A região tem se beneficiado de investimentos em infraestrutura e tecnologia, impulsionando seu crescimento industrial.
Salários médios na indústria em 2023
Em 2023, os salários médios na indústria brasileira apresentaram uma queda em relação aos níveis de 2014. O salário médio no setor caiu de 3,5 salários mínimos para 3,1 salários mínimos, refletindo um cenário de ajustes econômicos e mudanças estruturais no mercado de trabalho.
As Indústrias extrativas continuaram a oferecer as remunerações mais altas, embora também tenham registrado uma redução, passando de 6,0 salários mínimos em 2014 para 5,3 em 2023. Este segmento historicamente paga mais devido à natureza especializada e muitas vezes perigosa do trabalho.
Nas Indústrias de transformação, o salário médio caiu de 3,4 para 3,0 salários mínimos. Este declínio foi observado em 25 das 29 atividades industriais, indicando uma tendência generalizada de compressão salarial.
Atividades com maiores quedas salariais
Entre as atividades com maiores quedas salariais, destacam-se a Extração de petróleo e gás natural e a Fabricação de coque e derivados do petróleo, que viram suas médias salariais caírem significativamente.
Por outro lado, setores como a Fabricação de produtos de madeira conseguiram manter ou até aumentar ligeiramente seus níveis salariais.
Os menores salários médios foram encontrados nos setores de Confecção de artigos do vestuário e acessórios e Preparação de couros, refletindo a menor complexidade e valor agregado dessas atividades.
Este cenário salienta a necessidade de políticas de valorização do trabalho e investimentos em qualificação profissional para reverter a tendência de queda salarial.
Queda de 3,1% na ocupação em dez anos
Entre 2014 e 2023, a ocupação na indústria brasileira sofreu uma redução de 3,1%, representando uma perda de 272,8 mil postos de trabalho.
Este declínio reflete as transformações e desafios enfrentados pelo setor ao longo da última década, incluindo avanços tecnológicos, mudanças no mercado e crises econômicas.
As Indústrias de transformação foram as mais afetadas, com uma diminuição de 285,2 mil empregos. Em contrapartida, as Indústrias extrativas conseguiram um pequeno aumento de 12,4 mil postos, demonstrando maior resiliência em comparação com outros segmentos.
Os setores mais impactados pela redução de vagas foram a Confecção de artigos do vestuário e acessórios, que perdeu 175,0 mil empregos, seguido pela Fabricação de produtos de minerais não-metálicos e Fabricação de produtos de metal, com quedas de 84,6 mil e 69,2 mil vagas, respectivamente.
Apesar das perdas, a indústria alimentícia destacou-se positivamente, aumentando sua participação no mercado e absorvendo parte da força de trabalho deslocada de outros setores.
Este cenário ressalta a necessidade de adaptação e inovação contínua para enfrentar as mudanças e manter a competitividade no setor industrial.



