Conversão de pastagens degradadas em soja exige R$482 bilhões
A conversão de pastagens degradadas em terras agrícolas no Brasil pode custar R$482,6 bilhões, segundo o Itaú BBA. Essa iniciativa busca aumentar a produção de grãos sem desmatamento, valorizando as terras e reduzindo a emissão de carbono, mas enfrenta desafios relacionados a custos e infraestrutura.
Conforme um estudo do Itaú BBA, a conversão de pastagens degradadas no Brasil em áreas de cultivo de soja demandaria um investimento de R$482,6 bilhões. Esse valor equivale ao programa anual de financiamento agrícola do país, o Plano Safra, e destaca os desafios de expandir a produção agrícola sem desmatamento.
Desafios e custos da conversão de pastagens
A conversão de pastagens degradadas em terras agrícolas apresenta desafios significativos, principalmente em termos de custos e infraestrutura.
O estudo do Itaú BBA aponta que a transformação dessas áreas em lavouras de soja requer um investimento substancial de R$482,6 bilhões.
Esse montante é comparável ao Plano Safra, o programa de financiamento agrícola anual do Brasil, destacando a magnitude do desafio financeiro.
Os custos de conversão variam conforme o grau de degradação das pastagens. Para áreas moderadamente degradadas, o custo médio é de R$16.904 por hectare, enquanto para pastagens severamente degradadas, o valor sobe para R$17.784 por hectare.
Isso se deve à necessidade de insumos adicionais, como calcário e fertilizantes, além de um manejo mais intensivo do solo.
Além disso, a falta de equipamentos adequados, como niveladoras e subsoladores, pode aumentar ainda mais os custos.
Caso todos os produtores já possuíssem esses equipamentos, os custos totais poderiam ser reduzidos para R$188,7 bilhões.
Essa diferença ilustra a importância de investimentos em infraestrutura para viabilizar o processo de conversão de forma economicamente sustentável.
Impactos econômicos e ambientais da conversão
A conversão de pastagens degradadas em terras agrícolas tem o potencial de gerar impactos econômicos e ambientais significativos.
Economicamente, a transformação dessas áreas pode aumentar o valor das terras de cultivo em até R$904 bilhões, já que, em média, as terras agrícolas no Brasil valem 2,4 vezes mais do que as pastagens.
Isso representa uma valorização imediata dos ativos dos produtores, mesmo que o retorno sobre o investimento em produtividade não seja imediato.
Do ponto de vista ambiental, a conversão de pastagens degradadas em lavouras pode ser uma estratégia eficaz para evitar o desmatamento.
Ao utilizar terras já existentes para expandir a produção agrícola, evita-se a destruição de vegetação nativa e a emissão de 3,5 bilhões de toneladas de carbono, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.
Além disso, a conversão pode aumentar significativamente a oferta de grãos no Brasil, com a produção de soja podendo crescer em 104,7 milhões de toneladas e a de milho em 52,8 milhões de toneladas.
Esses aumentos são equivalentes a duas safras do Mato Grosso, um dos principais estados produtores do país.
Porém, é importante considerar que a diversificação do uso dessas terras, incluindo sistemas integrados de lavoura-pecuária e restauração de vegetação nativa, pode aumentar a resiliência ao clima e melhorar a infiltração de água no solo.
*Com informações do Valor Internacional



