Indústria e Tendências

Brasil perde US$ 700 mi com queda de exportações de carne aos EUA

As exportações de carne bovina do Brasil sofreram uma perda de US$ 700 milhões devido às tarifas impostas pelos EUA entre agosto e outubro de 2025, mas o aumento nas vendas para a China e a União Europeia ajudou a compensar o valor.

As exportações de carne brasileira enfrentaram uma queda significativa de US$ 700 milhões de agosto a outubro devido às tarifas dos Estados Unidos, segundo dados analisados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Contudo, o aumento das vendas para outros mercados compensou essas perdas, resultando em um crescimento geral nas exportações. A China e a União Europeia emergem como principais destinos alternativos.

Impacto das tarifas dos EUA nas exportações

As tarifas adicionais impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tiveram um impacto significativo nas exportações de carne bovina.

De agosto a outubro, as vendas para os EUA sofreram uma queda de 36,4%, resultando em perdas estimadas de US$ 700 milhões. Este declínio é atribuído principalmente às tarifas punitivas que visam proteger o mercado interno estadunidense.

Antes da implementação das tarifas, os Estados Unidos eram o segundo maior cliente da carne bovina brasileira. No entanto, as exportações de carne bovina in natura para os EUA recuaram 54% em outubro, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Além disso, as vendas de carne bovina industrializada e subprodutos como sebo também enfrentaram reduções significativas.

Apesar das dificuldades, as exportações totais para os EUA nos primeiros dez meses de 2025 ainda mostraram um crescimento de 40,4% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 1,796 bilhão. Isso reflete o forte desempenho das exportações antes da imposição das tarifas.

A Abrafrigo, associação que representa o setor, destacou que, sem as tarifas, o potencial de exportação poderia ter sido ainda maior.

Crescimento das vendas para outros mercados

Embora as exportações de carne bovina para os Estados Unidos tenham enfrentado desafios devido às tarifas, outros mercados compensaram essas perdas com um crescimento expressivo.

A China, por exemplo, continua a ser o principal destino das exportações brasileiras, com um aumento de 45,8% na receita, atingindo US$ 7,060 bilhões até outubro de 2025.

A União Europeia destacou-se como o segundo maior destino em outubro de 2025, com um crescimento de 112% em relação ao mesmo mês do ano anterior, alcançando US$ 140 milhões.

Esse desempenho é impulsionado por preços médios elevados, que chegaram a US$ 8.362 por tonelada de carne bovina in natura.

O aumento das exportações para esses mercados demonstra a capacidade do Brasil em diversificar seus destinos e mitigar os impactos das tarifas americanas.

A estratégia de expandir para mercados alternativos tem se mostrado eficaz, garantindo um crescimento contínuo no setor de exportação de carne bovina.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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