Indústria e Tendências

Romênia fecha usina nuclear devido a baixo nível do Danúbio

A usina nuclear de Cernavodă deve permanecer fora de operação por pelo menos 10 dias, período que pode exigir maior participação de outras fontes na matriz romena.

A Romênia precisou interromper a operação da central nuclear de Cernavodă após a queda acentuada do nível do rio Danúbio comprometer as condições necessárias para o resfriamento dos reatores. A paralisação afeta uma instalação responsável por cerca de 20% da eletricidade do país e amplia a pressão sobre o sistema energético nacional.

Romênia desliga única usina nuclear após queda do Danúbio

A Romênia interrompeu temporariamente as operações da central nuclear de Cernavodă depois que o nível do rio Danúbio atingiu condições insuficientes para sustentar o resfriamento necessário.

Os dois reatores da instalação respondem por aproximadamente 20% da eletricidade do país, o que transforma o desligamento em um evento relevante para o equilíbrio do sistema energético nacional.

O primeiro reator já havia sido retirado de operação em julho, enquanto a segunda unidade, com 706 megawatts, foi desconectada da rede nesta quinta-feira.

A administração da usina informou que não espera retomar o funcionamento nos próximos dez dias, prazo que amplia a pressão sobre outras fontes de geração disponíveis no país.

Antes da paralisação completa, autoridades tentaram elevar o fluxo de água nas proximidades da central com intervenções físicas no leito do rio, mas a medida não evitou o fechamento.

Calor extremo expõe fragilidade da infraestrutura energética

O episódio ocorre em meio a uma onda de calor prolongada que reduziu de forma intensa os níveis do Danúbio em diferentes países da Europa.

Em alguns trechos, o segundo maior rio europeu alcançou marcas próximas das menores observadas em três décadas, o que afeta transporte, abastecimento e produção de energia.

A dependência de grandes volumes de água para resfriamento torna usinas nucleares vulneráveis a períodos de seca severa, especialmente quando altas temperaturas persistem por vários dias.

Na Hungria, a usina nuclear de Paks também utiliza água do Danúbio, mas conseguiu manter suas operações até o momento apesar das condições desfavoráveis.

Para a Romênia, a interrupção pode aumentar a necessidade de recorrer a outras fontes, inclusive importações ou geração fóssil, caso a oferta interna fique abaixo da demanda.

O caso reforça a necessidade de adaptar infraestruturas críticas a eventos climáticos mais frequentes, com planejamento para preservar segurança operacional e estabilidade no fornecimento elétrico.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo