CNI aponta potencial de expansão do transporte aquaviário no Brasil
Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o transporte aquaviário, ou cabotagem, é empregado por 29% das indústrias brasileiras. Outras 20% afirmam que passariam a utilizá-lo se as condições fossem mais adequadas, revelando um potencial de crescimento ainda não explorado.
A cabotagem, modal estratégico para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade industrial, ainda é subutilizada no Brasil. De acordo com uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apenas 29% das empresas fazem uso desse tipo de transporte, embora 20% indiquem disposição para adotá-lo caso a infraestrutura e as condições operacionais melhorem.
Uso atual do transporte aquaviário
O uso do transporte aquaviário, ou cabotagem, ainda é limitado no Brasil, representando apenas 11% da matriz de transporte nacional.
A modalidade é predominantemente utilizada para o transporte de petróleo e seus derivados, que correspondem a 75% do total movimentado por essa via.
Embora o Brasil possua uma extensa costa litorânea, a cabotagem não é amplamente adotada pelas indústrias.
As empresas de grande porte são as que mais utilizam a cabotagem, com 44% delas relatando uso em suas operações.
Já entre as pequenas empresas, apenas 7% fazem uso do modal, indicando um potencial subutilizado na logística nacional.
Interesse regional no modal
A pesquisa da CNI revela que estados como Rio Grande do Sul (17%), Bahia (13%), Rio Grande do Norte (13%) e Santa Catarina (13%) apresentam maior disposição em adotar o modal, caso as condições de transporte sejam adequadas.
Esses estados veem na cabotagem uma oportunidade para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade de suas indústrias.
A redução de custos é o principal fator motivador para 79% das empresas que já utilizam o modal, seguido pela segurança no transporte, que é uma preocupação constante para as operações logísticas.
Outras regiões também demonstram interesse, como Pernambuco e Rio de Janeiro, ambos com 8% de empresas dispostas a adotar a cabotagem.
Este interesse regional reflete a busca por alternativas mais eficientes e sustentáveis para o escoamento de produtos, especialmente em estados com forte presença industrial.
Para que o modal se expanda nessas regiões, é essencial a implementação de políticas que melhorem a infraestrutura portuária e ampliem a disponibilidade de rotas, facilitando o acesso das empresas ao transporte aquaviário.
Desafios para Expansão da Cabotagem
A expansão da cabotagem no Brasil enfrenta diversos desafios que precisam ser superados para que o modal se torne mais amplamente adotado.
Um dos principais obstáculos é a incompatibilidade geográfica, apontada por 45% das empresas que não utilizam a cabotagem, indicando que a localização dos portos não atende adequadamente as necessidades logísticas de muitas indústrias.
Outro desafio significativo é a indisponibilidade de rotas, mencionada por 39% dos entrevistados, que destacam a necessidade de uma maior diversidade de trajetos para atender diferentes regiões do país.
Além disso, o maior tempo de trânsito em comparação ao transporte rodoviário é uma barreira para 15% das empresas.
O investimento insuficiente em infraestrutura portuária também é um entrave para a expansão da cabotagem.
A falta de modernização nos portos e a necessidade de melhorias nas operações portuárias limitam a eficiência do modal e aumentam os custos logísticos.
Por fim, a distância entre a origem do transporte e o porto é um fator que desestimula o uso da cabotagem, especialmente para empresas localizadas longe dos principais portos.
Para superar esses desafios, são necessárias políticas públicas que incentivem o desenvolvimento de infraestrutura e a criação de rotas mais eficientes.



