Indústria e Tendências

Uso de herbicidas no Brasil cresce 128%

Entre 2010 e 2020, o Brasil viu um aumento de 128% no uso de herbicidas, principalmente devido à resistência ao glifosato e à escassez de alternativas sustentáveis.

O uso de herbicidas no Brasil aumentou 128% entre 2010 e 2020, expondo a resistência crescente das plantas daninhas ao glifosato, mostrou um estudo da Embrapa Meio Ambiente. Este fenômeno impulsiona a busca por alternativas sustentáveis e inovações no manejo agrícola. Especialistas destacam a necessidade de políticas públicas e novas tecnologias para enfrentar os desafios do setor.

Crescimento do uso de herbicidas no Brasil

O crescimento do uso de herbicidas no Brasil entre 2010 e 2020 foi significativo, com um aumento de 128% no volume de ingredientes ativos vendidos. Esse salto reflete o aumento da resistência das plantas daninhas ao glifosato, principal herbicida utilizado no país.

A pesquisa realizada pela Embrapa, em parceria com a UniRV, evidenciou que o consumo passou de 157,5 mil para 329,7 mil toneladas anuais.

A expansão da área agrícola, que cresceu 24% no mesmo período, não explica totalmente o aumento no uso de herbicidas, indicando uma dependência crescente dessas substâncias para o controle de plantas daninhas.

A falta de alternativas sustentáveis, como bioherbicidas, contribui para essa tendência, forçando os agricultores a recorrerem a soluções químicas mais intensivas.

Além disso, a diversificação das moléculas utilizadas, com destaque para o aumento no uso de cletodim, triclopir e outros compostos, mostra uma tentativa de contornar a resistência ao glifosato.

Especialistas sugerem que essa estratégia de complementar o glifosato com outras moléculas é uma resposta direta à emergência de espécies resistentes, que desafiam as tecnologias atuais de manejo.

Alternativas sustentáveis e inovações

Com a crescente resistência ao glifosato, a busca por alternativas sustentáveis e inovações no controle de plantas daninhas se torna essencial.

Uma das principais propostas é o investimento em bioherbicidas, que são produtos naturais baseados em microrganismos ou extratos vegetais. Apesar das pesquisas intensificadas, esses produtos ainda são escassos no mercado brasileiro.

Além dos bioherbicidas, métodos físicos de controle ganham destaque, como o uso de laser associado à inteligência artificial, água fervente com espuma isolante e descargas elétricas.

Essas técnicas oferecem soluções viáveis para reduzir a dependência de herbicidas químicos, mas exigem investimentos em pesquisa e desenvolvimento para sua implementação em larga escala.

Outra inovação promissora são as nanoformulações, que permitem a liberação controlada de herbicidas, reduzindo as doses necessárias e minimizando o impacto ambiental.

A capacitação de técnicos e produtores para o uso racional de herbicidas e o manejo integrado são passos fundamentais para a transição para práticas agrícolas mais sustentáveis.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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