Brasil pode expandir biocombustíveis sem desmatar, revela estudo
O Brasil pode aumentar a produção de biocombustíveis sem desmatar, aproveitando pastos degradados e utilizando tecnologias avançadas.
Um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) em parceria com o Observatório do Clima revela que o Brasil pode dobrar a produção de biocombustíveis até 2050 sem desmatamento, utilizando pastos degradados.
Aumento da produção sem desmatamento
Um estudo recente indica que o Brasil pode ampliar significativamente a produção de biocombustíveis sem a necessidade de novos desmatamentos.
A estratégia se baseia na recuperação de pastos degradados, que somam cerca de 100 milhões de hectares em todo o país.
Desse total, aproximadamente 56 milhões de hectares poderiam ser convertidos para a agricultura, incluindo a produção de bioenergia, sem comprometer áreas naturais.
A proposta defende o uso racional do solo e a adoção de políticas de monitoramento e salvaguardas socioambientais, priorizando a produção de alimentos e a preservação ambiental.
O estudo destaca ainda que os biocombustíveis devem ocupar apenas parte dessas áreas degradadas, equilibrando a expansão energética com a segurança alimentar e a conservação da biodiversidade.
O aproveitamento de pastos degradados é visto como uma alternativa sustentável para aumentar a produtividade agrícola e reduzir emissões de gases de efeito estufa.
A adoção de cultivos de alta eficiência, como a macaúba, e o investimento em tecnologias avançadas, como o etanol de segunda geração, são apontados como caminhos viáveis para a expansão sustentável do setor.
Segundo o relatório, essa abordagem tem o potencial de recuperar terras improdutivas, gerar renda e fortalecer a transição para uma economia de baixo carbono, colocando o Brasil em posição de destaque na produção global de energia renovável.
Premissas para bioenergia sustentável
O estudo estabelece premissas fundamentais para a expansão sustentável da bioenergia no Brasil. Uma das principais metas é a redução de 92% nas emissões de gases de efeito estufa até 2035, em comparação com os níveis de 2005, alinhando-se às diretrizes do Acordo de Paris.
Além disso, o crescimento da produção de biocombustíveis deve ocorrer em paralelo a um aumento médio do PIB de 2,1% ao ano até 2050.
As diretrizes incluem salvaguardas socioambientais rigorosas, garantindo que a expansão da bioenergia não comprometa a produção de alimentos nem a preservação de áreas naturais.
O compromisso de desmatamento zero até 2030 é outra premissa essencial, com exceção de uma taxa residual de perda de área natural de até 100 mil hectares anuais. Essas medidas visam assegurar que a bioenergia contribua para um Brasil mais sustentável e próspero.



