Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Brasil avança na clonagem de porcos para transplantes no SUS

O Brasil está avançando na clonagem de porcos para xenotransplante, com o objetivo de suprir a demanda do SUS por órgãos compatíveis, o que pode ter um impacto positivo significativo na saúde pública.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) alcançaram um avanço relevante na área de biotecnologia ao desenvolver técnicas de clonagem de porcos voltadas ao xenotransplante. A iniciativa tem como principal objetivo ampliar a oferta de órgãos para o Sistema Único de Saúde (SUS), que concentra a maior parte dos transplantes realizados no país e enfrenta uma demanda crescente por doações.

Avanços na clonagem de porcos para xenotransplante

O marco alcançado pelos pesquisadores do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP representa um avanço significativo na clonagem de porcos, visando o uso em xenotransplantes.

Este processo complexo envolve a modificação genética dos suínos para evitar a rejeição imunológica quando seus órgãos são transplantados para humanos.

O primeiro porco clonado nasceu em Piracicaba, no Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), após quase seis anos de pesquisa.

A clonagem de suínos é considerada uma das técnicas mais desafiadoras devido a fatores biológicos ainda não totalmente compreendidos, conforme explicou Ernesto Goulart, pesquisador principal do projeto à agência FAPESP.

Para superar esses desafios, os cientistas inativaram três genes dos porcos que induzem a rejeição e introduziram sete genes humanos, tornando os órgãos dos suínos mais compatíveis com o corpo humano.

Este avanço não apenas demonstra a viabilidade da técnica, mas também abre caminho para novas gestações, já em andamento.

Impacto no SUS e na saúde pública

O desenvolvimento da clonagem de porcos para transplantes tem potencial para transformar a saúde pública no Brasil, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).

A possibilidade de utilizar órgãos de suínos clonados pode aliviar a crescente demanda por transplantes, uma vez que o SUS realiza entre 90% e 96% dos transplantes de órgãos no país.

Os pesquisadores escolheram inicialmente órgãos como rim, coração, córnea e pele para xenotransplantes, pois juntos eles atendem a 94% da demanda de transplantes do SUS.

Essa escolha estratégica visa maximizar o impacto positivo na saúde pública, reduzindo a fila de espera e melhorando a qualidade de vida de muitos pacientes.

Além disso, o sucesso dessa técnica poderia posicionar o Brasil como um líder em inovação médica, ampliando as possibilidades de tratamento para doenças que atualmente dependem de doadores humanos.

Com estudos clínicos já em andamento nos Estados Unidos, China e Brasil, a expectativa é que o xenotransplante se torne uma realidade viável em um futuro próximo, beneficiando milhares de pessoas que aguardam por um transplante.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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