Coração de doador reiniciado fora do corpo amplia doações
Técnicas inovadoras para revitalizar coração de doador fora do corpo estão aumentando a disponibilidade de órgãos para transplantes, superando desafios éticos e técnicos, com resultados promissores em transplantes pediátricos e uma abordagem mais econômica.
Novas técnicas para reviver corações de doadores fora do corpo prometem aumentar a quantidade de órgãos disponíveis para transplante, mostrou uma publicação da revista científica Nature. Desenvolvidas por cirurgiões, essas abordagens evitam questões éticas associadas aos métodos atuais.
Desafios atuais na doação de corações
A doação de corações enfrenta desafios significativos, principalmente devido à escassez de doadores em potencial. A maioria dos corações doados provém de pessoas declaradas com morte cerebral, mas esse número é insuficiente para atender à demanda.
Em alguns casos, corações podem ser obtidos de doadores declarados mortos após a parada cardíaca por cinco minutos, como quando a família decide retirar o suporte vital.
No entanto, para que esses corações sejam adequados para transplante, é necessário que os cirurgiões removam o órgão e o reiniciem em uma máquina, ou que o façam bater novamente enquanto ainda está no corpo.
A primeira opção é cara e não pode ser utilizada em doadores com menos de 40 quilos, o que exclui bebês e a maioria das crianças.
Já a segunda opção não é amplamente utilizada devido a questões éticas potenciais, como a necessidade de alterar a causa registrada da morte de morte circulatória para morte cerebral.
Outra preocupação ética é que o procedimento poderia, teoricamente, restaurar o fluxo sanguíneo para o cérebro, embora sejam usados grampos para bloquear esse resultado. Esses desafios destacam a necessidade de novas abordagens na doação de corações.
Revitalização de pequenos corações
Para superar os desafios éticos e técnicos na doação de corações infantis, Joseph Turek, cirurgião cardíaco pediátrico da Universidade de Duke, e sua equipe desenvolveram um sistema inovador para revitalizar corações de crianças fora do corpo.
Este método envolve a infusão de sangue oxigenado no coração através de um tubo conectado à aorta, permitindo que o coração seja reiniciado de forma segura e eficaz.
O procedimento foi inicialmente testado em leitões de 12 semanas antes de ser aplicado em humanos. Em um caso pioneiro, o coração de um bebê de um mês, que havia falecido, foi removido, reiniciado fora do corpo e transplantado com sucesso em outro bebê de três meses.
Três meses após o transplante, o coração do receptor funcionava normalmente, sem sinais de rejeição, conforme relatado no New England Journal of Medicine.
Essa técnica pode aumentar significativamente o número de transplantes cardíacos pediátricos nos Estados Unidos, oferecendo uma solução mais econômica por não exigir equipamentos caros.



