Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Potencial de crédito de carbono na Amazônia Legal ultrapassa US$ 10 bi

A Amazônia Legal tem o potencial de gerar até US$ 21,6 bilhões em crédito de carbono até 2030, ao implementar o REDD+ Jurisdicional e reduzir o desmatamento em até 90%.

Os estados da Amazônia Legal têm potencial para gerar entre 10,8 e 21,6 bilhões de dólares em créditos de carbono até 2030, segundo estudo do Earth Innovation Institute. O mecanismo REDD+ Jurisdicional pode desacelerar o desmatamento em 90% até 2030.

Impacto do REDD+ no desmatamento e emissões

O mecanismo REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) é uma estratégia internacional que busca recompensar financeiramente países em desenvolvimento por conservar suas florestas e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Na modalidade jurisdicional, o programa é implementado em escala regional, como em estados da Amazônia Legal, e coordenado pelo poder público, em vez de iniciativas isoladas de empresas ou propriedades privadas.

Esse modelo permite que as metas de redução de emissões sejam monitoradas e verificadas de forma centralizada, com maior abrangência e controle.

Por isso, o REDD+ Jurisdicional se mostra mais eficaz para combater o desmatamento em larga escala, promovendo ações conjuntas de fiscalização, incentivo à economia de baixo carbono e valorização dos territórios preservados.

De acordo com projeções do Earth Innovation Institute, a adoção consistente desse modelo pode levar a uma redução de até 90% do desmatamento na região até 2030, e até 98% até 2050, o que representaria um avanço histórico rumo ao fim do desmatamento ilegal.

O valor econômico da floresta em pé

Além de seu papel essencial no combate às mudanças climáticas, a floresta amazônica também representa uma oportunidade concreta de geração de receita para os estados que a compõem.

Com a adoção do modelo REDD+ em escala estadual, a conservação florestal deixa de ser vista apenas como dever ambiental e passa a integrar uma estratégia econômica com retorno financeiro.

A estimativa do Earth Innovation Institute aponta que os estados da Amazônia Legal podem arrecadar entre 10,8 e 21,6 bilhões de dólares até 2030, dependendo da valorização dos créditos de carbono no mercado internacional.

Unidades federativas como Acre, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Pará já contam com políticas estruturadas ou em fase avançada de implementação para integrar seus territórios ao mercado de carbono via programas jurisdicionais.

Outros estados, como Amazonas, Maranhão e Piauí, estão em processo de construção das bases técnicas e jurídicas necessárias para ingressar nesse modelo.

Ao incluir os governos estaduais na gestão dos créditos gerados pela proteção das florestas, o REDD+ Jurisdicional cria um novo campo para políticas públicas.

Os recursos obtidos podem ser reinvestidos em atividades sustentáveis, apoio às populações locais e no fortalecimento da fiscalização ambiental, promovendo um ciclo virtuoso entre preservação e desenvolvimento.

Essa lógica inaugura um caminho em que manter a floresta intacta não é apenas uma escolha ética ou ambiental, mas uma fonte legítima e estratégica de prosperidade econômica.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo