Febre Oropouche: entenda o que é e como se prevenir
A febre Oropouche é uma doença transmitida por mosquitos, como o maruim, e seus sintomas são semelhantes aos da dengue. É essencial adotar medidas preventivas, especialmente para gestantes, enquanto o Ministério da Saúde do Brasil intensifica a vigilância e a testagem para controlar a propagação da doença.
A febre Oropouche, causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, foi identificada no Brasil em 1960. Desde então, casos e surtos têm ocorrido, principalmente na região amazônica. Em 2024, foram confirmados 13.782 casos no país.
Sintomas e diagnóstico da febre Oropouche
Os sintomas da febre Oropouche são semelhantes aos de outras arboviroses, como a dengue. Os pacientes geralmente apresentam febre de início súbito, cefaleia intensa, mialgia e artralgia. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, tontura, dor retro-ocular, calafrios e fotofobia.
Em alguns casos, podem ocorrer manifestações hemorrágicas, como petéquias e epistaxe, além de comprometimento neurológico, como meningite asséptica e meningoencefalite.
O diagnóstico da febre Oropouche é realizado por meio de uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e análise epidemiológica. A confirmação laboratorial é feita com testes específicos que detectam o vírus no sangue do paciente.
A investigação epidemiológica considera o histórico de deslocamento do paciente para áreas onde a doença é endêmica ou a ocorrência de casos na mesma região.
É importante que a vigilância em saúde seja capaz de identificar rapidamente os casos para implementar medidas de controle e prevenção, evitando a propagação do vírus.
A orientação médica é essencial para o manejo adequado dos sintomas e para a realização de exames que confirmem a infecção.
Ciclos de transmissão e vetores
A transmissão do vírus Oropouche ocorre principalmente através da picada do inseto Culicoides paraensis, conhecido como maruim.
Este vetor adquire o vírus ao picar um hospedeiro infectado, como um humano ou animal, e pode transmiti-lo ao picar outra pessoa.
Existem dois ciclos de transmissão principais: o ciclo silvestre e o ciclo urbano. No ciclo silvestre, animais como bichos-preguiça e primatas não-humanos, além de aves silvestres e roedores, atuam como reservatórios naturais do vírus.
Outros insetos, como Coquillettidia venezuelensis e Aedes serratus, também podem participar deste ciclo de transmissão.
No ciclo urbano, os humanos são os principais hospedeiros, e além do Culicoides paraensis, o mosquito Culex quinquefasciatus, comum em áreas urbanas, pode transmitir o vírus.
Este cenário urbano destaca a importância de medidas de controle vetorial para prevenir surtos em áreas densamente povoadas.
A compreensão desses ciclos é essencial para a implementação de estratégias eficazes de controle e prevenção, visando reduzir a propagação do vírus e proteger a saúde pública.
Prevenção e medidas de proteção
A prevenção da febre Oropouche envolve a adoção de medidas para evitar a exposição aos vetores responsáveis pela transmissão do vírus. Utilizar roupas de mangas longas e calças compridas é uma forma eficaz de proteger a pele contra picadas de insetos.
O uso de repelentes que contenham DEET é recomendado para áreas expostas do corpo, embora sua eficácia contra o maruim não seja totalmente comprovada. No entanto, eles são eficazes contra outros mosquitos, como o Aedes aegypti.
Instalar telas de malha fina em portas e janelas, com orifícios menores que 1 milímetro, pode impedir a entrada dos vetores nas residências. Mosquiteiros também são recomendados para proteção durante o sono.
Em áreas endêmicas, é aconselhável evitar atividades ao ar livre durante o amanhecer e o anoitecer, quando a atividade dos vetores é mais intensa. Manter o ambiente limpo, sem acúmulo de material orgânico, ajuda a reduzir a população de vetores.
Para gestantes, recomenda-se evitar a exposição ao vetor e buscar acompanhamento médico regular durante o pré-natal, especialmente em caso de sintomas compatíveis com a febre Oropouche.
Impacto da doença em gestantes
O impacto da febre Oropouche em gestantes é uma preocupação crescente, especialmente após a confirmação de casos de transmissão vertical, onde o vírus é passado da mãe para o feto.
Este tipo de transmissão pode resultar em complicações graves, incluindo óbito fetal e anomalias congênitas.
Embora a frequência exata dessa transmissão ainda não seja completamente conhecida, o risco potencial exige atenção especial.
Gestantes que apresentam sintomas compatíveis com a febre Oropouche devem buscar acompanhamento médico imediato e contínuo durante todo o pré-natal.
Medidas preventivas são essenciais para proteger gestantes, incluindo o uso de roupas protetoras, repelentes e telas de proteção em janelas.
Além disso, a redução da exposição a ambientes onde a presença do vetor é alta é altamente recomendada.
A vigilância em saúde deve estar atenta à identificação precoce de casos em gestantes para garantir um manejo adequado e minimizar os riscos associados à infecção pelo vírus Oropouche durante a gravidez.
Ações do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde tem adotado diversas ações para combater a febre Oropouche no Brasil. Uma das principais medidas é a ampliação da testagem para identificar casos da doença em todo o país, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz.
A vigilância epidemiológica foi intensificada, com estados e municípios orientados a realizar busca ativa de casos e a implementar o manejo adequado dos casos confirmados, especialmente em gestantes. Visitas técnicas de apoio são realizadas em áreas afetadas para fortalecer as ações locais.
Além disso, o Ministério da Saúde promove seminários com pesquisadores e profissionais do SUS para discutir avanços na vigilância e controle do Oropouche. Pesquisas sobre o vetor e a doença estão em andamento, buscando novas ferramentas de controle.
Capacitações para profissionais de saúde e vigilância são realizadas para garantir que estejam preparados para lidar com a doença.
Essas ações são coordenadas pelo Centro de Operações de Emergências – Dengue e Arboviroses, que também monitora outras arboviroses, como dengue, chikungunya, zika e febre amarela.



