Entre 2013 e 2019, a toxicidade dos pesticidas aplicados na agricultura aumentou de forma significativa em diversas regiões do mundo, ampliando os impactos sobre a biodiversidade.
Os insetos foram os mais afetados no período, com um crescimento de 42,9% na toxicidade aplicada, seguidos pelos organismos do solo, que registraram alta de 30,8%.
Enquanto plantas aquáticas e vertebrados terrestres apresentaram redução nos riscos, o cenário segue preocupante para outros grupos de espécies.
Os dados integram um levantamento internacional que analisou 625 pesticidas utilizados em 65 países. Para mensurar os impactos, o estudo adotou o indicador de Toxicidade Total Aplicada, conhecido como TAT.
A metodologia, reconhecida pela ONU, considera os diferentes níveis de dano que substâncias químicas causam a diferentes espécies, permitindo uma avaliação padronizada e comparável em escala global.
O avanço da toxicidade é considerado mais crítico em países em desenvolvimento e em regiões com alta biodiversidade, onde espécies essenciais ao equilíbrio ecológico estão mais vulneráveis.
A pressão sobre insetos polinizadores e organismos do solo, fundamentais para a produtividade agrícola e a saúde ambiental, reforça o alerta sobre a sustentabilidade dos atuais modelos de produção.
Em 2022, durante uma cúpula internacional, líderes globais assumiram o compromisso de reduzir em 50% os riscos associados aos pesticidas até 2030. O indicador TAT foi adotado como ferramenta oficial para monitorar esse progresso.
No entanto, os resultados mostram que a toxicidade aplicada continua aumentando em diversas regiões, contrariando as metas estabelecidas.
Enquanto Europa e China conseguiram reduzir a toxicidade por meio de políticas como a eliminação gradual dos neonicotinoides e a adoção de estratégias de crescimento zero no uso de pesticidas, países como Brasil, Índia e Estados Unidos registraram aumento significativo nos níveis de toxicidade no período analisado.
Entre as nações avaliadas, apenas o Chile apresenta trajetória alinhada com a meta da ONU de reduzir o risco dos pesticidas em 50% até 2030.
Especialistas apontam que alcançar esse objetivo exige mudanças estruturais no sistema produtivo, como maior diversificação agrícola, manejo menos intensivo do solo e ampliação da agricultura orgânica.
A adoção dessas práticas é considerada essencial para conter o avanço da toxicidade, proteger a biodiversidade e assegurar ecossistemas mais resilientes a longo prazo.