Mudanças climáticas já afetam planos de 58% dos jovens
Os impactos das mudanças climáticas ultrapassam questões ambientais e alcançam compromissos, oportunidades profissionais e projetos individuais de longo prazo.
Quase seis em cada dez jovens ouvidos em Campinas afirmam que as alterações do clima já influenciam seus planos para os próximos anos. O diagnóstico do projeto Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas mostra que falhas no transporte, na energia e na internet aprofundam desigualdades sociais e territoriais entre moradores da cidade.
Diagnóstico do JUCAMP revela efeitos sobre o futuro
O primeiro diagnóstico do projeto Juventudes, Raça e Mudanças Climáticas em Campinas, realizado pelas organizações Em Movimento e Minha Campinas, identificou impactos relevantes sobre a população jovem.
A iniciativa contou com assessoria técnica da Rede Conhecimento Social e recebeu investimento da Fundação FEAC para analisar experiências climáticas em diferentes territórios municipais.
Entre os participantes, 58% afirmaram que as alterações do clima já interferem nas escolhas, expectativas e possibilidades consideradas para os próximos anos.
Os resultados mostram que eventos extremos deixaram de representar apenas preocupações ambientais e passaram a influenciar decisões relacionadas a estudo, trabalho, moradia e mobilidade.
Essa percepção aparece com maior intensidade entre jovens que convivem com limitações financeiras, serviços públicos insuficientes e menor proteção contra enchentes ou temperaturas elevadas.
O levantamento também destaca que renda, raça, escolaridade e local de residência determinam diferenças importantes na exposição aos riscos e na capacidade individual de resposta.
Falhas urbanas prejudicam a rotina dos jovens
A precariedade dos serviços urbanos amplia os transtornos causados por tempestades e ventanias, sobretudo entre moradores que dependem de estruturas públicas para estudar, trabalhar e circular.
Nos dias de chuva forte, 73% dos jovens relatam dificuldades para utilizar ônibus, situação que compromete horários e limita o acesso a diferentes regiões da cidade.
As interrupções digitais também aparecem com frequência, pois 70% enfrentam quedas de internet relacionadas às condições climáticas e perdem acesso a aulas, atividades profissionais ou informações importantes.
Outro problema atinge o fornecimento de eletricidade, com 75% dos participantes afetados por cortes durante ventanias, o que prejudica equipamentos, comunicação e conservação de alimentos.
Essas ocorrências revelam que mobilidade, conectividade e energia formam uma rede essencial para as oportunidades juvenis, mas apresentam fragilidades diante de eventos climáticos severos.
A redução desses impactos exige investimentos em transporte público, redes elétricas, drenagem urbana e infraestrutura digital, com prioridade para os bairros mais vulneráveis de Campinas.
Desigualdade climática exige respostas territoriais
Os dados do JUCAMP indicam que os impactos climáticos não atingem todos os jovens da mesma forma, pois condições sociais e territoriais alteram o nível de exposição.
Moradores de áreas com infraestrutura limitada enfrentam mais obstáculos para preservar estudos, trabalho e deslocamentos durante episódios de chuva intensa, calor extremo ou interrupções de serviços.
A combinação entre baixa renda, desigualdade racial e fragilidade urbana reduz as alternativas disponíveis para famílias que precisam reagir rapidamente aos efeitos provocados pelo clima.
Por esse motivo, políticas municipais precisam reconhecer as diferenças entre os bairros e direcionar recursos conforme os riscos identificados em cada parte de Campinas.
A participação dos jovens também pode contribuir para decisões mais precisas, pois suas experiências revelam problemas cotidianos que nem sempre aparecem nos indicadores administrativos tradicionais.
Ao incorporar essas percepções no planejamento urbano, o poder público poderá estruturar medidas mais justas para transporte, energia, conectividade e proteção contra eventos extremos.
Fonte: O Globo



