Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Obesidade infantil supera desnutrição pela primeira vez no mundo

A obesidade infantil superou a desnutrição e se tornou o principal desafio nutricional entre crianças e adolescentes, segundo o UNICEF. O problema já atinge uma em cada dez pessoas de 5 a 19 anos.

Um estudo recente do UNICEF revelou que a obesidade já é mais comum do que a desnutrição entre crianças em idade escolar e adolescentes no mundo. O fenômeno atinge uma em cada dez pessoas de 5 a 19 anos, o que representa 188 milhões de jovens, e acende um alerta para o aumento de doenças associadas ao excesso de peso, como diabetes tipo 2 e complicações cardiovasculares.

Obesidade infantil triplica desde 2000 e ultrapassa índices de desnutrição

Um relatório recente do UNICEF mostra que a realidade da saúde infantil e adolescente passou por uma transformação significativa nas últimas duas décadas.

Em 2000, quase 13% das pessoas entre cinco e 19 anos estavam abaixo do peso, número que caiu para 9,2% em 2025.

Essa redução, embora positiva, veio acompanhada de uma tendência oposta e alarmante: a obesidade praticamente triplicou no mesmo período, passando de 3% para 9,4%.

O avanço do excesso de peso entre jovens fez com que, pela primeira vez, a obesidade superasse os casos de baixo peso como principal preocupação nutricional.

Atualmente, uma em cada dez crianças e adolescentes vive com obesidade, o que representa cerca de 188 milhões de pessoas em todo o mundo.

Esse grupo está mais exposto ao risco de desenvolver doenças crônicas como diabetes tipo 2, complicações cardiovasculares e até alguns tipos de câncer.

A situação não é uniforme em todas as regiões. Apesar do crescimento global dos índices de obesidade, a África Subsaariana e o Sul da Ásia ainda registram taxas mais altas de baixo peso do que de excesso de peso.

Nessas regiões, a desnutrição continua sendo um problema estrutural, marcado por desigualdade social, falta de acesso a alimentos nutritivos e fragilidade dos sistemas de saúde.

O UNICEF alerta que o cenário atual reflete uma transição nutricional que afeta diretamente a qualidade de vida das novas gerações.

Enquanto em algumas partes do mundo o desafio é combater a fome e a falta de nutrientes, em outras a dificuldade está em lidar com dietas ricas em ultraprocessados e com a queda dos níveis de atividade física. Essa combinação tem levado ao aumento acelerado do sobrepeso em um ritmo preocupante.

Para especialistas, a resposta a esse desafio exige políticas públicas que conciliem o combate à desnutrição com ações de prevenção à obesidade.

Isso inclui investimentos em alimentação saudável nas escolas, incentivo à prática regular de atividade física e maior regulação da publicidade de alimentos direcionada ao público infantil.

Sem medidas coordenadas e de longo prazo, a tendência é que o número de crianças e adolescentes com excesso de peso continue crescendo, aumentando também os custos sociais e econômicos associados às doenças crônicas.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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