Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Relatório Anual do Fogo mostra concentração recente de queimadas

O Relatório Anual do Fogo do MapBiomas revela que as queimadas impactaram significativamente a Amazônia e o Cerrado na última década, destacando a importância da análise de dados para a criação de políticas públicas que visem a redução das queimadas, especialmente nas regiões da Caatinga e Pampa.

O MapBiomas Brasil apresenta seu Relatório Anual do Fogo, revelando que quase metade das áreas queimadas no país ocorreu na última década (2014 a 2023). O estudo destaca a Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal como os biomas mais afetados.

Impacto do fogo na última década

Nos últimos dez anos, o impacto do fogo no Brasil foi significativo, com quase metade das áreas queimadas desde 1985 ocorrendo nesse período.

O Relatório Anual do Fogo do MapBiomas destaca que 43% das queimadas registradas no país nos últimos 40 anos aconteceram entre 2014 a 2023.

Essa tendência de aumento é preocupante, especialmente considerando que em 2024, 30 milhões de hectares foram queimados, superando em 62% a média histórica anual de 18,5 milhões de hectares.

Essa intensificação das queimadas é atribuída a fatores como mudanças climáticas e atividades humanas, que têm exacerbado a ocorrência de incêndios em diversos biomas.

Os dados indicam que o Cerrado e a Amazônia foram os biomas mais impactados, concentrando 86% da área queimada no Brasil entre 1985 e 2024.

Essa concentração de queimadas nesses biomas ressalta a necessidade urgente de estratégias de manejo e prevenção de incêndios para mitigar os impactos ambientais e sociais causados pelo fogo.

Biomas mais afetados pelas queimadas

Os biomas brasileiros mais afetados pelas queimadas nas últimas décadas incluem a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal.

Esses biomas enfrentaram uma significativa perda de vegetação nativa devido ao fogo, com impactos ambientais e sociais de grande escala.

A Amazônia registrou, em 2024, a maior área queimada desde o início da série histórica em 1985, com 15,6 milhões de hectares afetados.

O fogo na Amazônia é amplamente atribuído a ações humanas, agravadas por condições climáticas adversas, como secas severas.

No Cerrado, 89,5 milhões de hectares foram queimados entre 1985 e 2024, representando 45% do bioma. O fogo no Cerrado é uma preocupação crescente, especialmente devido ao avanço sobre formações florestais, ameaçando a biodiversidade local.

O Pantanal também sofreu com as queimadas, com 62% de seu território queimado pelo menos uma vez nos últimos 40 anos. Este bioma é particularmente vulnerável devido à sua vegetação nativa e períodos de seca, que facilitam a propagação do fogo.

Dados sobre cicatrizes de fogo

Os dados sobre cicatrizes de fogo revelam a extensão e a frequência das queimadas nos biomas brasileiros. Entre 1985 e 2024, 206 milhões de hectares foram afetados, com variações significativas entre os biomas.

As cicatrizes de fogo são mapeadas usando imagens de satélite, permitindo identificar padrões de queimadas. A maior parte das áreas queimadas, 27%, variou entre 10 e 250 hectares.

No entanto, em 2024, houve um aumento nos mega eventos, com 29% das queimadas afetando áreas superiores a 100 mil hectares.

O Pantanal se destaca com a maior prevalência de cicatrizes extensas, onde 19,6% das áreas queimadas superaram 100 mil hectares.

Já no Cerrado, 3,7 milhões de hectares queimaram mais de 16 vezes em 40 anos, mostrando a alta recorrência do fogo.

Esses dados são essenciais para entender a dinâmica das queimadas e apoiar estratégias de prevenção e combate aos incêndios, promovendo uma gestão mais eficaz dos recursos naturais.

Redução de queimadas na Caatinga e Pampa

A Caatinga e o Pampa apresentaram uma redução nas áreas queimadas em 2024, destacando-se em meio a um cenário nacional de aumento das queimadas. Essa redução é um indicativo positivo, mas requer atenção contínua para garantir a sustentabilidade a longo prazo.

Na Caatinga, a extensão queimada em 2024 foi de 404 mil hectares, uma queda de 16% em relação à média histórica de 480 mil hectares.

Apesar de o fogo não ser um elemento natural predominante na Caatinga, sua ocorrência em áreas de formação savânica chama a atenção para a importância do monitoramento contínuo.

No Pampa, o ano de 2024 também registrou valores abaixo da média histórica, com a área queimada totalizando 495 mil hectares.

A presença do fenômeno El Niño, que trouxe chuvas abundantes, contribuiu para a redução das queimadas, mas as áreas naturais ainda estão vulneráveis a incêndios em períodos secos.

Esses dados reforçam a necessidade de estratégias de manejo e prevenção adaptadas às características únicas de cada bioma, visando a preservação de suas paisagens e biodiversidade.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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