Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Repetição do fogo ameaça a resiliência da Amazônia

As queimadas frequentes na Amazônia têm um impacto negativo significativo, reduzindo a biodiversidade e aumentando a mortalidade de árvores, o que compromete a resiliência da floresta e os serviços ecossistêmicos que ela oferece.

Repetição do fogo nas florestas amazônicas tem causado sérios prejuízos à biodiversidade, de acordo com uma pesquisa do IPAM divulgada na IOPscience. Os autores mostram que as queimadas sucessivas não só aumentam a morte de árvores, como também alteram profundamente a composição do ecossistema, comprometendo a resiliência ambiental e a estabilidade dos serviços naturais oferecidos pela floresta.

Impactos das queimadas frequentes na biodiversidade

A frequência das queimadas na Amazônia está causando um impacto significativo na biodiversidade local.

Segundo o estudo do IPAM, as queimadas recorrentes têm levado a uma diminuição da diversidade de espécies na região sul da floresta amazônica. Essa redução é resultado da repetição dos incêndios, que afetam a capacidade de recuperação das florestas.

Os pesquisadores identificaram que, nos cenários de queimadas repetidas, a diversidade da floresta começou a ser alterada já em 2014, intensificando-se após o segundo evento em 2016.

Essas mudanças incluem a perda de espécies sensíveis ao fogo e a proliferação de espécies mais resistentes, o que altera a composição original do ecossistema.

Além disso, a pesquisa destaca que a repetição do fogo não só diminui a diversidade, mas também impacta a estrutura populacional das espécies, com mudanças graduais observadas de 2014 a 2024.

Isso demonstra que os efeitos das queimadas são duradouros e podem comprometer a capacidade da floresta de sustentar sua biodiversidade a longo prazo.

Aumento da mortalidade das árvores e suas consequências

O aumento da mortalidade das árvores na Amazônia é uma consequência direta das queimadas frequentes e intensas.

De acordo com o estudo do IPAM, em cenários onde o fogo é intensificado com galhos secos e folhas, a taxa de mortalidade das árvores aumentou de quatro a cinco vezes em comparação com áreas não queimadas.

Essa alta mortalidade afeta diretamente o estoque de carbono presente na biomassa aérea das espécies, comprometendo a capacidade da floresta de atuar como um sumidouro de carbono.

Isso não só agrava as mudanças climáticas, como também prejudica os serviços ecossistêmicos que a floresta oferece, como a regulação do clima e a manutenção da biodiversidade.

A perda de árvores também altera o microclima local, aumentando a temperatura e reduzindo a umidade, o que pode tornar a floresta ainda mais suscetível a futuros incêndios.

Essas mudanças criam um ciclo vicioso, onde a floresta, cada vez mais degradada, perde sua resiliência e capacidade de recuperação, ameaçando sua sobrevivência a longo prazo.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo