Plano reúne 37 medidas para reduzir emissões
O Observatório do Clima, por meio do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, apresentou 37 soluções voltadas à redução do metano nos principais setores responsáveis pelas emissões brasileiras.
O levantamento parte de um cenário no qual o Brasil lançou cerca de 21 milhões de toneladas desse gás na atmosfera em 2024, volume que mantém o país entre os grandes emissores globais.
As propostas foram distribuídas entre áreas com perfis muito diferentes, como agropecuária, gestão de resíduos, energia e mudanças no uso da terra e das florestas.
A intenção é mostrar que não existe uma única resposta capaz de reduzir o problema, já que cada fonte de emissão exige instrumentos técnicos, regulatórios e econômicos específicos.
O documento também reforça que muitas alternativas já são conhecidas e dependem principalmente de coordenação entre governo, empresas, produtores e instituições responsáveis pela implementação.
Agropecuária responde por quase 76% das emissões
A agropecuária concentra a maior parcela do metano lançado no Brasil, com participação de aproximadamente 75,8% no total registrado em 2024.
O setor liberou cerca de 15,7 milhões de toneladas no período, com a criação de gado responsável por mais de 90% desse volume.
Por causa desse peso, 15 das 37 propostas foram direcionadas especificamente às atividades rurais, com medidas ligadas a planejamento territorial, manejo de resíduos animais e eficiência produtiva.
A redução das emissões nesse segmento depende de mudanças capazes de alcançar grandes rebanhos e diferentes sistemas de produção espalhados pelo território nacional.
Ao mesmo tempo, especialistas destacam que parte dessas medidas pode trazer ganhos de produtividade, o que aproxima objetivos ambientais de melhorias econômicas dentro das propriedades.
Resíduos, energia e queimadas completam o mapa
A gestão de resíduos representa aproximadamente 16% das emissões nacionais de metano, com lixões e aterros sanitários entre as principais fontes identificadas.
Nesse eixo, as soluções priorizam expansão da coleta seletiva e melhor aproveitamento de resíduos orgânicos, com potencial para reduzir a formação do gás durante a decomposição.
Na área de energia, as propostas incluem redução de vazamentos na indústria fóssil e políticas específicas para famílias que ainda dependem da lenha no consumo doméstico.
Já as mudanças no uso da terra e das florestas respondem por cerca de 5,5% das emissões, com participação relevante das queimadas sobre vegetação nativa.
O conjunto mostra que o combate ao metano exige uma estratégia ampla, com ações adaptadas às características de cada setor e às diferentes origens do problema.