Exaustor para fogão
Aviso de segurança. Exaustores instalados sobre fogões a gás lidam com produtos de combustão e com acúmulo de gordura, dois fatores diretamente associados a risco de intoxicação e de incêndio. Em cozinhas profissionais, o sistema de captação e os dutos devem seguir a ABNT NBR 14518:2020, a RDC nº 216/2004 da Anvisa e as exigências do Corpo de Bombeiros, como a Instrução Técnica 38 do CBPMESP. Projeto, instalação elétrica conforme a ABNT NBR 5410:2004 e liberação do sistema devem ser conduzidos por profissional habilitado com responsabilidade técnica registrada.
Tipos de exaustor para fogão e onde cada um se encaixa
A família de modelos de exaustor de cozinha vai do exaustor axial de parede, que apenas joga o ar para fora, até coifas de parede, de ilha e embutidas em armário. O exaustor axial de parede é a solução mais barata e serve para renovação geral do ambiente, mas captura mal porque não tem captor sobre o fogão. A coifa de parede é o formato dominante em residência e apoia-se na parede atrás do fogão. A coifa de ilha exige maior vazão porque está exposta a correntes de ar por todos os lados. Já os modelos embutidos e os de linha slim priorizam integração com a marcenaria, com perda de área de captura.
- Exaustor axial de parede: renovação do ambiente, sem captor; indicado como reforço, não como captação principal.
- Coifa de parede: melhor relação entre captura e custo em cozinhas residenciais com fogão encostado na alvenaria.
- Coifa de ilha: precisa de 20% a 40% mais vazão que a equivalente de parede pela exposição lateral.
- Exaustor embutido em armário: discreto, mas com área de captura menor e acesso mais difícil ao filtro.
- Captação sob medida em cozinha profissional: dimensionada por velocidade de captura, não por catálogo.
Com duto ou por recirculação: a primeira decisão que muda tudo
Só existem dois caminhos para o ar que sai do captor: ir para fora do prédio por duto ou voltar filtrado para a cozinha. O modelo com duto retira vapor, calor, umidade e odor de verdade e é a única configuração aceitável em cozinha profissional. Já o depurador por recirculação com filtro de carvão ativado retém gordura e reduz odor, mas devolve calor e umidade ao ambiente, e depende da troca do carvão a cada 4 a 6 meses de uso doméstico intenso. A regra prática é simples: se existe fachada, poço ou shaft a até cerca de 4 metros do fogão, o duto compensa sempre; se a saída exigiria travessar toda a laje ou não é autorizada pelo condomínio, a recirculação é o caminho viável, aceitando a limitação térmica.
| Critério | Com duto para o exterior | Recirculação (depurador) |
|---|---|---|
| Remoção de calor e umidade | Total | Não remove |
| Controle de odor | Alto e permanente | Bom no início, cai com a saturação do carvão |
| Obra necessária | Furo em fachada e passagem de duto | Praticamente nenhuma |
| Custo recorrente | Limpeza de filtro metálico | Troca de carvão ativado a cada 4 a 6 meses |
| Uso em cozinha profissional | Obrigatório pelo fluxo direcionado exigido | Não aceito como solução principal |
Como dimensionar a vazão em m³/h sem errar
Para uso residencial, o método mais confiável é multiplicar o volume da cozinha pelo número de trocas de ar por hora desejado, entre 10 e 15 quando há cocção diária com gás. Uma cozinha de 12 m² com pé-direito de 2,7 m tem 32,4 m³, o que leva a algo entre 325 e 490 m³/h de vazão útil. Em cozinha profissional o critério muda: a ABNT NBR 14518:2020 dimensiona pela velocidade de captura na face do captor, tipicamente na faixa de 0,25 a 0,5 m/s conforme o equipamento de cocção, o que produz vazões muito superiores. Vale exigir a curva de ensaio do ventilador, obtida conforme a ISO 5801, para comparar propostas no mesmo ponto de pressão e não pelo número de marketing da caixa.
| Superfície de cocção | Vazão útil recomendada (m³/h) | Diâmetro de duto usual | Aplicação típica |
|---|---|---|---|
| Cooktop de 4 bocas, até 60 cm | 350 a 600 | 120 mm | Cozinha residencial fechada, uso diário |
| Fogão de 5 a 6 bocas, 70 a 90 cm | 600 a 900 | 120 a 150 mm | Cozinha residencial ampla ou coifa de ilha |
| Cocção de 90 a 120 cm com forno ou chapa | 900 a 1.200 | 150 mm | Cozinha gourmet e área de churrasqueira |
| Fogão industrial de 4 a 6 queimadores | 1.200 a 2.500 | Duto de 200 a 300 mm ou retangular | Restaurante, dark kitchen, refeitório |
| Linha com fritadeira e chapa contínua | Calculado por velocidade de captura | Definido em projeto conforme NBR 14518:2020 | Cozinha profissional com captor sob medida |
Duto, diâmetro e curvas: onde a vazão real se perde
O erro mais caro do nicho é comprar um aparelho potente e ligá-lo a um caminho de ar ruim. O duto de exaustão rígido de parede lisa é sempre superior ao flexível corrugado de alumínio, que pode multiplicar a perda de carga por duas a três vezes no mesmo comprimento por causa da turbulência interna. Cada curva de 90 graus equivale, na prática, a algo em torno de 1,5 a 2 metros de duto reto, e uma redução de diâmetro de 150 para 120 mm em um trecho intermediário estrangula todo o sistema. Como regra de projeto residencial, mantenha o percurso em até 4 ou 5 metros com no máximo duas curvas, nunca reduza o diâmetro de saída do aparelho e instale damper antirretorno na fachada para evitar retorno de odor, insetos e vento.
- Prefira duto rígido liso; use flexível apenas no trecho curto de conexão ao aparelho.
- Some 1,5 a 2 metros equivalentes por curva de 90 graus ao calcular o comprimento total.
- Nunca reduza o diâmetro abaixo do bocal de saída do exaustor.
- Não descarregue a exaustão de cozinha em prumada de banheiro ou em forro fechado.
- Especifique damper ou veneziana antirretorno na terminação externa.
Material e acabamento: quando o inox 304 se paga
A maior parte dos exaustores residenciais é fabricada em inox AISI 430 ou em aço carbono pintado, com painéis de vidro temperado. O inox AISI 430 é ferrítico, magnético e mais barato, e atende bem cozinhas urbanas com limpeza de rotina. O AISI 304 custa tipicamente algo entre 30% e 80% a mais na mesma peça, e essa diferença só se justifica em ambiente litorâneo, em cozinha profissional com higienização química frequente ou onde há contato com cloretos e ácidos de limpeza pesada. Vidro temperado é decisão estética e facilita a limpeza da superfície frontal, mas não muda desempenho. Já o filtro tipo labirinto inercial retém mais gordura que a tela de alumínio simples e reduz a carga combustível no duto, ponto relevante em cozinha comercial.
| Material | Custo relativo | Resistência à corrosão | Quando escolher |
|---|---|---|---|
| Aço carbono pintado | Mais baixo | Baixa; risca e oxida sob gordura quente | Uso leve, orçamento restrito, ambiente seco |
| Inox AISI 430 | Referência de mercado | Média | Cozinha residencial urbana com limpeza de rotina |
| Inox AISI 304 | 30% a 80% acima do 430 | Alta, inclusive com cloretos | Litoral, cozinha profissional, higienização química |
| Vidro temperado com estrutura de inox | Acima do 430 | Depende da estrutura metálica | Prioridade estética e limpeza frontal fácil |
Ruído, motor e conforto acústico
Ruído é o motivo mais comum de o aparelho ser desligado justamente quando mais precisaria estar ligado. Fabricantes informam dB(A), e o dado só é comparável quando medido na mesma velocidade e vazão. Em cozinha residencial, valores entre 45 e 55 dB(A) na velocidade intermediária são confortáveis; acima de 65 dB(A) a convivência fica difícil. Modelos de exaustor de cozinha silencioso costumam usar motor de rotor externo, turbina dupla girando mais devagar ou motor remoto instalado fora do ambiente, solução que praticamente elimina o ruído na cozinha ao custo de mais duto. Em uso comercial vizinho a áreas residenciais, a descarga externa também precisa respeitar os limites de níveis de pressão sonora avaliados conforme a ABNT NBR 10151:2019.
Cozinha profissional: normas sanitárias e exigência de incêndio
Em restaurante, padaria, refeitório e dark kitchen a compra deixa de ser de eletrodoméstico e passa a ser de sistema. Um exaustor de cozinha industrial dimensionado por velocidade de captura trabalha com captor sob medida, filtros inerciais, duto em chapa metálica e ponto de descarga acima da cobertura. A RDC nº 216/2004 da Anvisa exige ventilação e exaustão que garantam renovação de ar e fluxo direcionado da área limpa para a suja, e regulamentos estaduais como a Portaria CVS-5/2013, em São Paulo, detalham essa exigência na fiscalização. Do lado da segurança, a Instrução Técnica 38 do Corpo de Bombeiros e a referência internacional NFPA 96 tratam de coifa, duto, isolamento térmico e sistema de supressão sobre a linha de cocção. A renovação de ar do salão, por sua vez, tem parâmetros na ABNT NBR 16401-3:2008.
Erros de especificação, manutenção e vida útil real
O aparelho quase nunca falha sozinho: falha o conjunto. O erro mais frequente é instalar o captor alto demais, acima da faixa de 65 a 75 cm da superfície de cocção a gás, o que derruba a eficiência de captura mesmo com vazão de sobra. O segundo é ignorar o ar de reposição com um insuflador de ar em ambientes muito estanques: acima de 800 a 1.000 m³/h, a pressão negativa reduz a vazão efetiva, dificulta a abertura de portas e pode interferir na exaustão de aquecedores a gás. O terceiro é postergar a limpeza dos filtros, que em uso residencial pedem lavagem a cada 30 a 60 dias e, em cozinha comercial de fritura, inspeção semanal e limpeza de duto periódica por empresa especializada. Filtro saturado eleva o consumo, satura o motor e transforma o duto em carga combustível.
- Altura de instalação fora da faixa recomendada pelo fabricante para gás ou indução.
- Duto flexível longo e amassado atrás do armário anulando a vazão contratada.
- Ausência de reposição de ar em cozinha fechada com aparelhos a gás.
- Filtro metálico lavado sem desengraxante, mantendo a gordura polimerizada.
- Descarga apontada para a janela do vizinho ou para dentro de forro, gerando autuação e retorno de odor.
O que define o preço e o que enviar na cotação
Não existe preço único porque o mesmo termo cobre desde um exaustor axial simples até um sistema de captação sob medida. O que move o valor é a vazão contratada, o material do corpo, o tipo e a quantidade de motores, o nível de ruído prometido, a largura útil, a existência de acabamento em vidro e comandos eletrônicos, e principalmente se a peça é de linha ou fabricada sob medida. Acessórios costumam ficar fora do valor anunciado: tubo de saída, damper, adaptador de diâmetro, tela e mão de obra de instalação. Em compra de rede ou de obra, volume e prazo de entrega abrem margem relevante. Quanto mais completa a informação enviada, mais comparáveis voltam as propostas dos fornecedores.
- Largura da superfície de cocção e tipo de fogão (gás, indução, chapa ou fritadeira).
- Formato de instalação: parede, ilha, embutido em armário ou captor sob medida.
- Distância do fogão até o ponto de descarga externa e número de curvas previstas.
- Diâmetro de duto disponível ou já existente na obra.
- Vazão desejada em m³/h e ruído máximo aceitável em dB(A).
- Tensão de alimentação e existência de tomada dedicada conforme a ABNT NBR 5410:2004.
- Quantidade de peças, prazo de entrega e necessidade de instalação inclusa.
- Exigência de laudo, curva de ensaio ou conformidade com a ABNT NBR 14518:2020, quando comercial.
O que só a Soluções Industriais entrega neste nicho
- Divergência recorrente entre a vazão de catálogo, medida em bocal livre, e a vazão útil com 4 metros de duto e duas curvas.
- Concentração de pedidos em duto de 120 mm em cozinhas residenciais que já demandariam 150 mm pela vazão contratada.
- Reclamação frequente de ruído em modelos acima de 800 m³/h instalados a menos de 65 cm da superfície de cocção.
- Demanda crescente de dark kitchens por captação sob medida em vez de exaustor de linha residencial.
- Substituição precoce de aparelhos por corrosão de inox AISI 430 em cozinhas litorâneas e em ambientes com limpeza clorada.
- Orçamentos que esquecem damper antirretorno, tela de proteção e tubo de saída, itens que alteram o preço final entregue.
- Pedido comum de laudo de vazão e curva de ensaio conforme ISO 5801 em compras corporativas e de rede.
Perguntas frequentes
Qual vazão em m³/h escolher para uma cozinha residencial comum?
Multiplique o volume da cozinha por 10 a 15 trocas de ar por hora quando há cocção diária a gás. Uma cozinha de 12 m² com 2,7 m de pé-direito precisa de algo entre 325 e 490 m³/h de vazão útil. Some folga se o fogão ficar em ilha, onde a captura é mais difícil.
A vazão do catálogo é a mesma que vou obter instalado?
Não. O valor de catálogo costuma ser medido em bocal livre, sem duto. Com 4 metros de duto e duas curvas, a vazão real pode cair de forma significativa, especialmente com duto flexível corrugado. Peça ao fornecedor a curva de vazão x pressão, obtida conforme a ISO 5801, para comparar propostas no mesmo ponto de operação.
Posso usar depurador em cozinha de restaurante?
Não como solução principal. A RDC nº 216/2004 da Anvisa exige ventilação e exaustão capazes de garantir renovação de ar e fluxo direcionado, o que a recirculação não entrega porque devolve calor e umidade ao ambiente. Em cozinha profissional o sistema deve seguir a ABNT NBR 14518:2020 com descarga para o exterior.
Qual diâmetro de duto devo prever na obra?
Em linha residencial, 120 mm atende bem até cerca de 500 a 600 m³/h e 150 mm cobre faixas superiores, até por volta de 900 m³/h. Nunca reduza o diâmetro abaixo do bocal de saída do aparelho e evite trechos estrangulados intermediários, que anulam o ganho de um motor mais potente.
Vale pagar por inox AISI 304 em vez do 430?
Depende do ambiente. O AISI 304 costuma custar de 30% a 80% mais que o 430 na mesma peça e só se paga em região litorânea, em cozinha profissional com higienização química frequente ou onde há contato com cloretos. Em cozinha residencial urbana com limpeza de rotina, o 430 tem desempenho adequado.
Com que frequência é preciso limpar os filtros?
Em uso residencial diário, lavagem do filtro metálico com desengraxante a cada 30 a 60 dias. Em cozinha comercial com fritura, a inspeção deve ser semanal e a limpeza de duto periódica, feita por empresa especializada, porque o acúmulo de gordura é carga combustível e é justamente o cenário tratado pela NFPA 96 e pela Instrução Técnica 38 do Corpo de Bombeiros.
O exaustor precisa de circuito elétrico próprio?
É a prática recomendada. A instalação deve seguir a ABNT NBR 5410:2004, com tomada dedicada, aterramento e dispositivo de proteção compatível com a potência do motor. Em modelos de maior vazão e motor remoto, confirme a tensão e a corrente antes de fechar o pedido, porque existem versões em 127 V e 220 V não bivolt.
Preciso de projeto assinado por profissional habilitado?
Em cozinha comercial, sim. O dimensionamento pela ABNT NBR 14518:2020, o traçado do duto e a integração com o sistema de proteção contra incêndio exigem projeto e responsabilidade técnica formal, além de aprovação junto ao Corpo de Bombeiros e à vigilância sanitária. Em residência, a instalação elétrica e a abertura na fachada devem ser executadas por profissional qualificado.
O que costuma ficar de fora do preço anunciado?
Tubo de saída, damper antirretorno, adaptador de diâmetro, tela de proteção e mão de obra de instalação. Peça sempre o orçamento com esses itens discriminados e informe distância até a descarga e número de curvas, para que as propostas voltem comparáveis entre fornecedores.
Solicitar orçamento gratuito
Para obter cotações comparativas de exaustor para fogão, informe a especificação técnica completa, o volume estimado, o prazo de entrega aceitável e a região. Em até 24 horas você recebe propostas alinhadas ao perfil técnico e comercial da sua operação. O serviço da Soluções Industriais é gratuito para o comprador e dá acesso direto a mais de 50 mil fornecedores cadastrados no marketplace, com possibilidade de comparar múltiplas opções em poucos cliques.
Página revisada pela equipe técnica de Climatização e Ventilação da Soluções Industriais. Última revisão: 22 de agosto de 2026. Conteúdo elaborado com base nas normas técnicas brasileiras vigentes e em referências de fabricantes homologados no marketplace.
Soluções Industriais — marketplace B2B ativo desde 2014, com mais de 50 mil fornecedores, 250 mil produtos e 3 milhões de negócios intermediados. Operado por DSW Soluções Digitais LTDA, CNPJ 14.777.835/0001-67.
Fontes técnicas citadas: ABNT NBR 14518:2020, ABNT NBR 5410:2004, ABNT NBR 10151:2019, ABNT NBR 16401-3:2008, ISO 5801, RDC nº 216/2004 (Anvisa), Portaria CVS-5/2013 (SP), NFPA 96, Instrução Técnica 38 do Corpo de Bombeiros.