Educação e Carreiras

Integração longa atrasa produtividade em equipes de cibersegurança

A perda de competências preocupa 39% dos responsáveis por equipes de cibersegurança, proporção que alcança 60% nas organizações com mais de 50 mil funcionários.

A formação de um profissional recém-contratado em cibersegurança pode exigir muito mais tempo do que as empresas gostariam, justamente em um setor no qual conhecimentos envelhecem rapidamente. Esse descompasso entre adaptação e exigência operacional ajuda a explicar por que a atualização das equipes passou a dividir espaço com a própria contratação entre os desafios das organizações.

Prazo esperado não acompanha realidade

Entre os líderes consultados pela SkillBit, 57% afirmaram que novos funcionários precisam de aproximadamente seis meses para alcançar produtividade completa dentro das equipes de segurança digital.

A expectativa empresarial, porém, costuma ser bem mais curta, pois cerca de dois terços das organizações esperam que os contratados estejam totalmente preparados em até três meses.

Essa diferença cria uma janela na qual o profissional ainda precisa conhecer processos internos, ferramentas e responsabilidades, enquanto técnicas de ataque e recursos de defesa continuam a evoluir.

A velocidade dessas mudanças também aparece na percepção dos executivos, já que 39% apontaram a perda de competências como uma preocupação relevante para suas organizações.

O problema ganha maior peso nas empresas com mais de 50 mil funcionários, onde 60% dos líderes demonstraram preocupação com habilidades que podem perder utilidade ao longo do tempo.

Nesse contexto, completar o processo de integração não garante necessariamente que todo o conhecimento adquirido continue adequado às ameaças existentes meses depois.

Capacitação curta e frequente ganha preferência

Para reduzir essa distância, 71% dos líderes disseram preferir sessões semanais de aproximadamente 20 minutos a cursos extensos oferecidos somente uma ou duas vezes por ano.

A preferência favorece ciclos menores de atualização, nos quais novos conhecimentos podem chegar às equipes com maior frequência e acompanhar mudanças técnicas com mais proximidade.

A inteligência artificial aumenta essa pressão porque pode alterar tanto os recursos utilizados em ataques quanto as ferramentas empregadas pelas empresas para proteger sistemas e informações.

Por isso, a capacidade de resolver problemas, exercer pensamento crítico e adaptar conhecimentos recebeu mais atenção dos entrevistados do que o domínio isolado de tecnologias específicas.

Outro obstáculo aparece na porta de entrada do setor, pois 70% das empresas relataram poucas vagas, ou nenhuma, para profissionais com menos de dois anos de experiência.

Essa restrição reduz o espaço para formação de novos talentos justamente enquanto as próprias organizações reconhecem dificuldades para preparar e atualizar profissionais no ritmo exigido pela cibersegurança.

Amanda Cortonezi Silva

Colunista no segmento Educação e Carreiras | Coordenadora de Redação, especialista em Marketing de Conteúdo e tem mais de 7 anos de experiência em liderança. Possui forte conhecimento em desenvolvimento profissional, recrutamanto, formação de áreas, treinamento de equipes e educação corporativa.

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