Lago Koroneia perde mais de 90% da área no norte da Grécia
O Lago Koroneia encolheu de 34,4 km², em 2016, para apenas 2,7 km², uma redução que evidencia a velocidade da crise hídrica registrada no norte da Grécia.
Uma área que já sustentou pesca, turismo e populações numerosas de aves hoje apresenta extensões de solo exposto, vegetação escassa e pequenos bolsões de água. A transformação do Lago Koroneia, no norte da Grécia, mostra como um ecossistema pode perder funções ambientais e econômicas quando a reposição hídrica deixa de acompanhar as perdas provocadas pelo clima e pelo consumo humano.
Um lago pode perder sua função antes de desaparecer
A situação do Koroneia mostra que o colapso de um ambiente aquático não exige necessariamente que toda a água desapareça por completo.
Em 2016, a superfície ocupava 34,4 quilômetros quadrados, enquanto a medição mais recente aponta somente 2,7 quilômetros quadrados, segundo o Observatório Nacional de Atenas.
Essa diferença significa que o reservatório conserva hoje menos de um décimo da área observada naquele período, embora ainda existam trechos com água.
A consequência aparece na substituição de grande parte da antiga superfície por solo exposto, pequenas acumulações isoladas e cobertura vegetal bastante limitada.
O problema adquire outra dimensão porque o Koroneia sustentava funções que dependiam de uma área úmida muito maior do que aquela disponível atualmente.
A presença de flamingos e outras aves migratórias fazia parte desse equilíbrio, assim como atividades pesqueiras e fluxos de visitantes atraídos pela região.
Quando o espaço disponível diminui de forma tão acentuada, cada uma dessas funções passa a disputar condições ambientais que deixaram de existir na mesma escala.
Por isso, o caso grego permite analisar a perda de um recurso natural não apenas pelo volume restante, mas também pela capacidade que ele ainda conserva para sustentar biodiversidade e atividades humanas.
A recuperação fica mais difícil quando várias pressões coincidem
O desafio do Koroneia está na combinação de fatores que atuam sobre a mesma reserva, sem que exista uma única causa capaz de explicar toda a redução.
A região recebeu cerca de 400 milímetros de chuva por ano durante os últimos cinco anos, aproximadamente 150 milímetros abaixo dos níveis registrados em décadas anteriores.
Ao mesmo tempo, o aumento das temperaturas acrescentou entre 100 e 150 milímetros anuais às perdas por evaporação, o que diminuiu ainda mais a quantidade de água disponível.
As nascentes também passaram a contribuir menos para o lago, porque a redução das chuvas comprometeu parte da reposição que anteriormente chegava ao reservatório por outras vias.
Esse quadro cria uma diferença crescente entre a água que entra no sistema e aquela que desaparece ou é retirada ao longo do tempo.
A agricultura acrescenta outra variável importante, pois lavouras irrigadas e animais continuam a exigir água mesmo quando a disponibilidade regional passa por períodos prolongados de escassez.
O problema, portanto, não está apenas no consumo agrícola, mas na manutenção dessa demanda dentro de um cenário no qual a reposição natural perdeu capacidade.
Depois dos anos mais chuvosos de 2015 e 2016, a sucessão de períodos com precipitação abaixo da média e calor acima do padrão reduziu progressivamente a margem disponível para compensar essas retiradas.
O Koroneia funciona, assim, como um caso de pressão hídrica acumulada, no qual clima e uso econômico do recurso passam a produzir efeitos maiores quando atuam ao mesmo tempo.
Para outras regiões dependentes de reservatórios, zonas úmidas ou aquíferos frágeis, a principal leitura está justamente nessa interação, porque uma fonte de água pode permanecer fisicamente presente mesmo depois de perder grande parte de sua capacidade ambiental e econômica.
Fonte: Reuters



