Mercado livre de energia já atrai mais de 40% das indústrias
A redução das tarifas apareceu entre os principais resultados da migração, com 73% das empresas consultadas pela CNI relatando economia após a mudança de ambiente.
Mais de 40% das indústrias brasileiras já aderiram ao mercado livre de energia desde a ampliação do acesso ao modelo pelo Ministério de Minas e Energia, segundo Confederação Nacional da Indústria (CNI). A mudança reflete a busca por contratos mais flexíveis, maior previsibilidade financeira e redução de despesas capazes de comprometer a competitividade do setor produtivo.
Mercado livre de energia amplia autonomia das indústrias
A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que a contratação livre ganhou relevância entre empresas interessadas em reduzir despesas e controlar melhor o consumo.
Desde a ampliação do acesso ao modelo em 2024, 41% das indústrias consultadas optaram por negociar eletricidade fora das condições padronizadas aplicadas pelas distribuidoras.
A mudança regulatória conduzida pelo Ministério de Minas e Energia permitiu que novos consumidores escolhessem fornecedores, prazos, fontes de geração e volumes compatíveis com suas operações.
Essa autonomia comercial ajuda as empresas a ajustar os contratos aos horários de produção, às variações sazonais e às particularidades energéticas de cada unidade.
Entre as grandes indústrias conectadas à alta tensão, 63% já compram eletricidade nesse ambiente, o que demonstra maior adesão entre negócios com consumo intensivo.
A presença expressiva desse grupo confirma que a administração dos gastos energéticos passou a ocupar posição estratégica nas decisões sobre competitividade, investimento e expansão produtiva.
Contratos reduzem despesas com eletricidade
Segundo o levantamento da CNI, 73% das empresas que deixaram o mercado cativo perceberam redução nas tarifas após a mudança contratual.
A economia ocorre porque as companhias podem avaliar diferentes propostas e definir condições mais adequadas ao perfil de consumo apresentado por suas atividades industriais.
A possibilidade de estabelecer valores, prazos e volumes com antecedência também melhora a previsibilidade financeira e reduz a exposição a oscilações repentinas.
Com maior clareza sobre os custos futuros, os gestores conseguem preparar orçamentos, calcular preços industriais e organizar investimentos com menor grau de incerteza.
Os recursos preservados podem seguir para modernização de máquinas, ampliação da capacidade, contratação de profissionais ou desenvolvimento de produtos mais competitivos.
Entretanto, a obtenção desses benefícios depende de planejamento técnico, avaliação cuidadosa das ofertas e acompanhamento das obrigações previstas em cada contrato.
Pequenas empresas concentram potencial de expansão
Embora a contratação livre avance entre companhias maiores, 45% das pequenas indústrias ainda permanecem vinculadas ao modelo tradicional de fornecimento elétrico.
Esse cenário revela espaço para novas migrações entre negócios que procuram reduzir despesas e fortalecer a previsibilidade sem comprometer a continuidade operacional.
A transição também pode estimular medidas complementares, como produção própria de eletricidade, troca de equipamentos e projetos voltados à eficiência energética.
Indústrias de produtos de borracha e do segmento calçadista aparecem entre aquelas que mais investem em soluções próprias para controlar consumo e despesas.
A combinação entre contratos negociados, autogeração e uso eficiente da eletricidade aumenta a resistência empresarial diante de períodos com preços elevados.
Com a continuidade da abertura regulatória, mais companhias poderão incorporar a gestão energética às estratégias de produtividade, crescimento e competitividade industrial.
Fonte: Portal da Indústria



