Economia e Negócios

EUA devem enviar proposta ao Brasil para negociar o tarifaço

Documento esperado para as próximas semanas deverá definir os temas da nova rodada bilateral para negociar o tarifaço, enquanto a contestação brasileira contra as tarifas continua em curso na Organização Mundial do Comércio

A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma nova fase depois que Washington se comprometeu a apresentar um documento capaz de organizar as próximas negociações sobre o tarifaço. A informação foi divulgada pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) após uma reunião entre representantes dos dois governos em Milwaukee.

Proposta dos EUA deverá definir o alcance das conversas

O principal avanço do encontro foi a decisão de transformar contatos diplomáticos anteriores em uma negociação com temas previamente delimitados e uma estrutura mais clara.

A proposta estadunidense, esperada para as próximas semanas, deverá estabelecer quais questões tarifárias e não tarifárias poderão entrar efetivamente na mesa de negociação.

Participaram da reunião o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o representante do MDIC Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer, responsável pela política comercial da administração Donald Trump.

O encontro ocorreu após Lula e Trump orientarem suas equipes a retomar as discussões sobre as barreiras aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

Além desse documento, as duas partes decidiram estruturar um grupo de trabalho dedicado a temas que poderão sustentar um eventual acordo comercial bilateral mais amplo.

A iniciativa amplia o escopo do diálogo para além da retirada imediata das tarifas e cria um canal específico para discutir condições comerciais de interesse dos dois países.

A delegação brasileira voltou a contestar a justificativa econômica das sobretaxas, enquanto a representação estadunidense apresentou seus próprios argumentos para preservar as medidas adotadas.

Por isso, o compromisso de Washington com uma proposta formal representa um passo processual importante, mas ainda não equivale a uma indicação de redução ou retirada das tarifas.

Disputa na OMC continua paralela ao diálogo bilateral

Enquanto as equipes tentam construir uma saída negociada diretamente, o Brasil mantém ativa a contestação formal apresentada à Organização Mundial do Comércio contra as medidas estadunidenses.

O governo brasileiro sustenta que recebeu tratamento diferente daquele aplicado a outros parceiros e levou essa argumentação ao mecanismo multilateral de solução de controvérsias.

Representantes dos dois países já participaram de consultas em Genebra, etapa que abriu um período de 60 dias para tentativa de entendimento antes de uma eventual escalada jurídica.

Caso não exista solução nesse intervalo, poderá ser solicitado um painel responsável por analisar formalmente a compatibilidade das medidas com as regras comerciais internacionais.

A China tentou acompanhar esse processo como terceira parte, mas os Estados Unidos rejeitaram sua participação nas consultas abertas pelo Brasil dentro da organização.

Esse episódio reforça a separação entre a controvérsia bilateral e interesses comerciais mais amplos que outras potências também procuram acompanhar no sistema multilateral.

As duas frentes, portanto, cumprem funções diferentes para o governo brasileiro, porque a negociação direta busca uma solução política e comercial mais rápida, enquanto a OMC preserva uma via jurídica.

A proposta prometida por Washington será o próximo teste concreto para saber se o diálogo bilateral avançará para concessões efetivas ou permanecerá restrito à organização das conversas.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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