IPCA sobe 0,82% em setembro e reverte queda de agosto
Inflação oficial interrompe a deflação registrada em agosto, avança em todos os grupos pesquisados e eleva a taxa acumulada em 12 meses para 4,58%.
O IPCA avançou 0,82% em setembro de 2026 e reverteu a queda de 0,32% registrada em agosto, com aumentos presentes nos nove grupos acompanhados pelo índice. A inflação acumulada chegou a 3,95% no ano e a 4,58% em 12 meses, resultado que evidencia uma pressão mais ampla sobre diferentes componentes do consumo das famílias.
Conta de luz altera o resultado
Grande parte da diferença entre agosto e setembro apareceu nas despesas de Habitação, grupo que avançou 2,31% e respondeu por 0,35 ponto percentual do índice mensal.
A energia elétrica residencial exerceu influência decisiva nesse movimento, com alta de 7,98% e contribuição individual de 0,32 ponto percentual.
A comparação com agosto também foi afetada pelo encerramento do Bônus de Itaipu, benefício que havia reduzido parte das faturas emitidas no mês anterior.
Sem esse efeito, as contas retornaram a patamares superiores, enquanto a bandeira tarifária amarela acrescentou R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos.
Reajustes locais também modificaram as contas de consumidores em diferentes capitais, com aumentos incorporados em Belém, São Luís e Vitória durante o período analisado.
Rio Branco e Fortaleza tiveram reduções tarifárias, o que ajuda a explicar parte das diferenças observadas entre os resultados regionais de setembro.
Alimentação e transportes pesam mais
Os alimentos voltaram a pressionar o orçamento das famílias após três meses consecutivos de queda, com avanço de 0,83% no grupo Alimentação e bebidas.
Dentro de casa, a elevação chegou a 0,96%, impulsionada principalmente por produtos frescos e itens básicos que apresentaram reajustes relevantes durante o mês.
O tomate subiu 37,76% e apresentou uma das maiores variações entre os alimentos destacados, enquanto a batata-inglesa ficou 24,07% mais cara no mesmo intervalo.
Cebola, arroz e carnes também contribuíram para a alta, enquanto frango (inteiro e em pedaços) e frutas apresentaram reduções de preços.
A alimentação fora do domicílio também ganhou força, com avanço mensal de 0,48%, acima dos 0,36% registrados em agosto.
Esse comportamento amplia o alcance da pressão alimentar, porque o aumento passou a atingir tanto compras domésticas quanto despesas realizadas em refeições fora de casa.
Nos transportes, o aumento de 0,89% teve participação relevante das passagens aéreas, que ficaram 9,66% mais caras durante setembro.
Os combustíveis também contribuíram para o movimento, com alta média de 1,41%, puxada principalmente pelo etanol, que avançou 3,16%.
Diesel, gasolina e gás veicular também ficaram mais caros, com altas respectivas de 1,69%, 1,21% e 0,10% no período analisado.
A combinação entre energia, alimentos e mobilidade ajuda a explicar por que setembro apresentou uma inflação mais ampla e mais intensa do que a observada imediatamente antes.
Alta se espalha pelo índice
A aceleração não ficou restrita a poucos componentes, porque todos os nove grupos acompanhados pelo índice apresentaram aumento de preços durante setembro de 2026.
Essa disseminação ajuda a diferenciar o resultado de movimentos pontuais provocados por apenas um serviço ou produto com grande peso no orçamento.
No acumulado de janeiro a setembro, o IPCA chegou a 3,95%, enquanto a taxa dos últimos 12 meses avançou de 4,22% em agosto para 4,58% no mês seguinte.
A comparação anual também mostra maior intensidade, já que a inflação mensal superou em 0,34 ponto percentual o resultado registrado no mesmo período de 2025.
Entre as localidades pesquisadas, Vitória apresentou a maior variação mensal, com 1,08%, enquanto Rio Branco ocupou a outra ponta e registrou avanço de 0,53%.
Em São Paulo, região com maior participação na composição nacional, os preços aumentaram 0,83% no mês e acumularam 4,75% em 12 meses.



