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‘Jovens nem-nem’ crescem 12,7% no Brasil e acendem alerta

Jovens nem-nem representam um dos principais desafios sociais do país, ao reunir uma parcela da população que permanece afastada tanto da formação educacional quanto das primeiras experiências profissionais.

O crescimento do número de jovens que não estudam nem trabalham voltou a acender um alerta sobre os desafios da inclusão produtiva no Brasil. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, a população chamada de “nem-nem” avançou 12,7% em relação ao final de 2025, passando de 5,5 milhões para 6,2 milhões de pessoas em um cenário marcado por desemprego juvenil, baixa qualificação e dificuldades de permanência na escola.

Jovens nem-nem crescem em meio a barreiras

O aumento dos chamados jovens nem-nem reflete dificuldades acumuladas na transição entre escola, qualificação profissional e entrada no mercado de trabalho.

A ausência simultânea de estudo e ocupação formal pode ampliar vulnerabilidades, reduzir oportunidades futuras e comprometer a construção de trajetórias profissionais mais estáveis.

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego chega a 13,8%, patamar mais de duas vezes superior à média nacional.

O cenário é ainda mais crítico entre adolescentes de 14 a 17 anos, faixa em que o desemprego alcança 25,1% e evidencia obstáculos adicionais para a primeira experiência profissional.

Mesmo entre os jovens ocupados, parte significativa está concentrada em funções de baixa qualificação, como atendimento no comércio, vendas e apoio em atividades operacionais.

A presença limitada em áreas técnicas ou em cargos que exigem maior escolaridade revela a distância entre formação, experiência e demanda por postos de melhor remuneração.

A rotatividade também dificulta a consolidação de trajetórias profissionais, já que muitos jovens permanecem pouco tempo na mesma função e acumulam vínculos instáveis.

Baixos salários, contratos temporários e busca por oportunidades melhores contribuem para esse ciclo, que reduz o ganho de experiência e limita o crescimento dentro das empresas.

Falta de oportunidades amplia riscos sociais

A saída precoce da escola ou a dificuldade de avançar nos estudos tende a reduzir a qualificação de uma parcela da juventude brasileira.

Esse problema ganha peso em um mercado cada vez mais exigente, marcado por tecnologia, novas competências digitais e maior concorrência por vagas formais.

A desigualdade no acesso à educação de qualidade agrava esse quadro, especialmente entre jovens que enfrentam limitações financeiras, pouca estrutura familiar ou ausência de apoio para concluir etapas de formação.

Sem ensino completo ou capacitação adequada, a entrada no mercado tende a ocorrer por meio de ocupações mais frágeis e com menor possibilidade de progressão.

A combinação entre desemprego, baixa escolaridade e falta de perspectiva também produz efeitos sociais mais amplos, porque aumenta a exposição à pobreza e à exclusão.

Para muitos jovens, a ausência de renda e de projeto profissional pode afetar autoestima, saúde mental e participação social.

A reversão desse cenário depende de políticas públicas capazes de aproximar escola, formação técnica e oportunidades de trabalho para jovens em diferentes realidades.

Programas de qualificação, apoio à permanência escolar, aprendizagem profissional e acesso a empregos de entrada podem reduzir a distância entre juventude, educação e mercado produtivo.

Amanda Cortonezi Silva

Colunista no segmento Educação e Carreiras | Coordenadora de Redação, especialista em Marketing de Conteúdo e tem mais de 7 anos de experiência em liderança. Possui forte conhecimento em desenvolvimento profissional, recrutamanto, formação de áreas, treinamento de equipes e educação corporativa.

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