Preferência por flexibilidade contrasta com avanço do trabalho presencial
O trabalho presencial impõe custos que ultrapassam o tempo dentro da empresa, com deslocamento, despesas pessoais e qualidade do ambiente entre os fatores que mais pesam na avaliação dos profissionais.
A presença diária no escritório voltou a ocupar espaço relevante nas empresas brasileiras, embora uma parcela expressiva dos profissionais ainda prefira formatos com maior flexibilidade. A pesquisa A Experiência Laboral 2026 no Brasil, da WeWork, ouviu 2,5 mil pessoas e mostra que a aceitação desse modelo depende de fatores que começam antes mesmo da chegada ao local de trabalho.
Obrigatoriedade pesa na percepção dos profissionais
Para 79% dos participantes, comparecer ao escritório está associado principalmente a uma determinação da empresa, percepção que ajuda a explicar a resistência ao formato integralmente presencial.
O dado revela que a simples retomada da presença física não significa, necessariamente, maior adesão dos trabalhadores às políticas adotadas pelas organizações.
Essa diferença aparece também na comparação entre prática e preferência, pois 63% exercem suas atividades exclusivamente no escritório, enquanto somente 42% escolheriam esse formato.
A distância entre esses percentuais indica que modelos híbridos ou remotos ainda preservam apelo relevante, mesmo após a ampliação das políticas presenciais.
Para as empresas, essa diferença transforma o modelo de trabalho em uma questão que também pode afetar satisfação, permanência de profissionais e capacidade de atração de talentos.
Políticas mais rígidas tendem a exigir contrapartidas percebidas como relevantes pelos funcionários, sobretudo em funções nas quais parte das atividades poderia ocorrer fora da sede.
Trajeto aumenta custo do trabalho presencial
Antes de chegar ao escritório, muitos profissionais já enfrentam um dos principais pontos de insatisfação identificados pela pesquisa, pois 65% citam o tempo gasto no deslocamento.
Esse fator adiciona horas à rotina sem ampliar diretamente o período produtivo, o que pode reduzir a atratividade de uma jornada totalmente presencial.
O impacto também aparece no orçamento individual, uma vez que 53% associam esse formato a despesas pessoais maiores ao longo da semana de trabalho.
Transporte, alimentação e outros custos vinculados à permanência fora de casa passam, dessa forma, a integrar a avaliação feita pelos profissionais sobre o modelo adotado.
Esses elementos mostram que a discussão sobre retorno ao escritório não depende apenas das horas registradas dentro da empresa, mas também do esforço necessário para chegar até ela.
Quanto maior o custo financeiro e temporal dessa rotina, maior tende a ser a importância atribuída pelos trabalhadores às vantagens oferecidas pela presença física.
Estrutura do escritório influencia aceitação
Depois da chegada ao local de trabalho, a qualidade do ambiente passa a ter peso próprio na experiência, especialmente em aspectos relacionados a conforto e organização dos espaços.
Ambientes com excesso de ruído aparecem como incômodo para 57% dos entrevistados, enquanto 53% apontam a ausência de áreas adequadas para pausas.
A pesquisa também indica que mudanças estruturais podem alterar significativamente essa percepção, pois 96% dos casos registraram maior satisfação após a transferência para escritórios maiores.
O resultado sugere que metragem, distribuição dos ambientes e condições de uso interferem diretamente na forma como os profissionais avaliam a rotina presencial.
Metade dos participantes também atribui valor a características como espaços mais amplos, disponibilidade de café e oferta de lanches durante o expediente.
Esses elementos não eliminam os custos do deslocamento, mas podem tornar a permanência no escritório mais compatível com as expectativas de quem precisa frequentá-lo diariamente.
Para as empresas, o desafio passa a ser justificar a presença física com uma experiência que ofereça vantagens concretas além da simples ocupação de mesas.
A pesquisa sugere que infraestrutura, conforto e flexibilidade possuem peso relevante na forma como profissionais interpretam o valor de voltar ao escritório.



