G7 vai liberar 100 milhões de barris de petróleo e derivados após pressão dos EUA
A Agência Internacional de Energia (IEA) informou que seus países membros já retiraram cerca de 325 milhões de barris de reservas estratégicas desde o compromisso coletivo anunciado em março.
O G7 decidiu liberar 100 milhões de barris de petróleo e derivados ao longo dos próximos quatro meses, após o agravamento das restrições de oferta em diferentes mercados. Durante as negociações, os Estados Unidos chegaram a ameaçar limitar suas próprias exportações de diesel caso os aliados não recorressem aos estoques estratégicos para ampliar a disponibilidade do combustível. A nova operação prevê uma liberação mais intensa de diesel nos primeiros 20 dias, período considerado importante para conter os efeitos imediatos da escassez e dos preços elevados.
G7 recorre aos estoques após novos choques de oferta
A decisão ocorre em um mercado afetado por problemas simultâneos no Oriente Médio e na Rússia, dois polos relevantes para os fluxos internacionais de petróleo e derivados.
A guerra entre Estados Unidos e Irã alterou a circulação de combustíveis pelo Golfo Pérsico depois que Teerã restringiu a navegação no Estreito de Ormuz em resposta aos ataques realizados por Washington e Israel.
A pressão também alcançou o diesel produzido na Rússia, onde ofensivas ucranianas contra refinarias reduziram a capacidade disponível para processar petróleo e abastecer compradores externos.
Os ataques fizeram parte da resposta de Kiev às ações militares russas contra a Ucrânia e acrescentaram outro fator de restrição à oferta internacional do combustível, já que a Rússia proibiu novos embarques até o final de outubro.
Diante desse cenário, os integrantes do G7 também indicaram que não imporiam proibições de exportação de diesel entre os próprios membros do grupo.
A intenção é preservar a circulação entre países parceiros e impedir que decisões nacionais retirem volumes adicionais de um mercado que já enfrenta disponibilidade reduzida.
AIE já mobilizou 325 milhões de barris
A nova iniciativa ocorre após uma intervenção de escala maior coordenada pela Agência Internacional de Energia, formada por 32 países e integrada por todas as economias do G7.
Desde a ação coletiva anunciada em março, aproximadamente 325 milhões de barris de petróleo e derivados já saíram das reservas estratégicas mantidas pelos participantes.
Esse volume supera 80% dos 400 milhões de barris previstos no compromisso original, o que deixa aproximadamente 75 milhões ainda disponíveis para completar a operação anunciada anteriormente.
As informações disponíveis não esclarecem se essa parcela restante está incluída nos 100 milhões aprovados agora ou se o novo compromisso representa uma quantidade separada.
A distinção interfere diretamente na dimensão da resposta internacional, porque define quanto petróleo e diesel ainda poderá chegar ao mercado a partir das reservas públicas.
Caso os dois volumes sejam independentes, a quantidade efetivamente disponibilizada pelas economias participantes ultrapassará o total estabelecido na iniciativa coordenada em março.
Pressão estadunidense antecedeu acordo sobre diesel
Washington defendeu que outros países utilizassem parte das próprias reservas de diesel para ajudar a reduzir a escassez e a pressão dos preços sobre consumidores e setores produtivos.
Um memorando citado pela Bloomberg mostra que pelo menos um integrante recebeu um pedido para liberar estoques como forma de evitar uma possível restrição estadunidense às exportações.
O governo dos Estados Unidos posteriormente afirmou que não aplicaria essa limitação, após o avanço das negociações entre os países envolvidos na resposta ao problema de abastecimento.
A combinação entre novas liberações e manutenção do comércio dentro do G7 procura acrescentar oferta sem criar outra fonte de restrição para compradores internacionais.
Com o Estreito de Ormuz sob limitações e parte da capacidade russa de refino afetada por ataques, os estoques estratégicos ganharam importância como instrumento de curto prazo.
Essas reservas não eliminam as causas da escassez, mas podem oferecer volumes adicionais enquanto os principais fluxos de petróleo e derivados permanecem sujeitos aos efeitos dos conflitos militares.



