Oferta global de petróleo perde margem de segurança, diz Aramco
A oferta global de petróleo pode levar até dois anos para recuperar os estoques existentes antes da guerra, mesmo após uma eventual normalização das rotas comerciais.
A capacidade do mercado mundial de petróleo para absorver novas interrupções ficou significativamente menor desde o início da guerra no Oriente Médio, afirmou Amin Nasser, CEO da Aramco, durante o Energy Intelligence Forum. Na avaliação do executivo, a retirada acelerada de estoques e o bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz deixaram produtores e consumidores com menos alternativas para compensar eventuais perdas adicionais de oferta.
Aramco aponta forte redução dos estoques disponíveis
A preocupação apresentada por Nasser está ligada à quantidade de petróleo que permanece disponível para funcionar como proteção diante de novas emergências de abastecimento.
A Aramco estima que aproximadamente 10 bilhões de barris estavam armazenados antes da guerra que envolve Estados Unidos, Israel e Irã.
Desde fevereiro, cerca de 3 bilhões de barris teriam sido consumidos ou deixado de estar disponíveis para atender ao mercado, conforme a estimativa apresentada pela companhia.
A perda reduz a capacidade de resposta caso outra fonte relevante de produção ou uma rota importante de transporte sofra uma interrupção adicional.
Estoques elevados permitem compensar temporariamente problemas que atingem produtores, refinarias ou corredores marítimos sem que toda a redução chegue imediatamente aos compradores.
Com uma reserva menor, porém, novos choques encontram um sistema energético com menos capacidade para substituir rapidamente os volumes perdidos.
Reabertura de Ormuz não resolveria o problema de imediato
O Estreito de Ormuz ocupa posição central na avaliação apresentada pelo CEO da Aramco porque a passagem permanece fechada por prazo indeterminado.
A interrupção limita uma das principais rotas de petróleo e gás do Golfo e contribui para manter as cotações internacionais sob pressão.
Mesmo que o tráfego marítimo volte completamente, a disponibilidade global não retornaria de imediato às condições existentes antes da guerra, devido ao volume já retirado dos estoques.
Nasser avalia que a recomposição dessas reservas pode exigir até dois anos após uma eventual normalização completa da circulação pelo estreito.
Essa diferença entre recuperar uma rota comercial e reconstruir estoques explica por que a Aramco não associa uma eventual reabertura de Ormuz a uma solução imediata.
O petróleo poderia voltar a circular com maior regularidade, mas o sistema internacional ainda precisaria recuperar a proteção consumida durante os meses de crise.
Reservas estratégicas oferecem alívio temporário
Governos passaram a utilizar estoques estratégicos para acrescentar petróleo e derivados ao mercado diante das dificuldades de abastecimento provocadas pelo conflito.
Para Nasser, essas liberações ajudam a enfrentar necessidades imediatas, mas não corrigem os fatores que reduziram a oferta disponível de forma mais duradoura.
A utilização dessas reservas também diminui o volume preservado para futuras emergências, caso outro problema relevante afete a produção ou o transporte internacional.
Por isso, a avaliação da Aramco relaciona uma recuperação mais sólida à reabertura de Ormuz e ao restabelecimento da confiança nos fluxos internacionais de energia.
A preocupação apresentada em Londres ultrapassa, portanto, a trajetória imediata dos preços e alcança a capacidade global de reação diante de novas interrupções.
Com estoques mais baixos e uma passagem estratégica ainda fechada, o mercado possui menos espaço para absorver outra perda relevante de petróleo sem novas pressões sobre oferta e preços.



