Produção industrial cai em 12 locais no Brasil em junho
A produção industrial ainda apresenta saldo positivo no acumulado do ano, apesar da perda de força registrada nos indicadores mais recentes.
O desempenho da indústria brasileira em junho revelou um quadro de desaceleração regional ampla, com 12 dos 15 locais analisados em queda na comparação mensal. O recuo nacional de 1,8% contrastou com avanços pontuais em estados como Rio Grande do Sul, Bahia e Mato Grosso, o que reforça a diferença de ritmo entre as economias locais.
Produção industrial brasileira recua 1,8% em junho
A atividade industrial brasileira perdeu força em junho de 2026, com redução de 1,8% na comparação com maio, após a retirada dos efeitos sazonais pelo IBGE.
O resultado mensal interrompeu parte do desempenho observado anteriormente e também influenciou a média móvel trimestral, que apresentou retração de 0,5% no período encerrado em junho.
Esse indicador interrompeu uma sequência de avanços iniciada em janeiro, sinal de que a recuperação da indústria encontrou dificuldades ao longo do segundo trimestre.
Apesar da queda mensal, a comparação com junho de 2025 apresentou cenário diferente, pois a produção nacional ficou 1,7% acima do nível registrado naquele período.
O calendário favoreceu parcialmente essa comparação anual, uma vez que junho de 2026 contou com 21 dias úteis, contra 20 no mesmo mês do ano anterior.
Nos primeiros seis meses de 2026, a indústria acumulou crescimento de 1,5% sobre igual intervalo de 2025, enquanto a taxa dos últimos doze meses avançou 0,7%.
Doze dos 15 locais pesquisados registram queda
A retração mensal alcançou doze dos 15 locais acompanhados pelo levantamento com ajuste sazonal, o que mostra uma perda de produção distribuída por grande parte das regiões pesquisadas.
O Amazonas apresentou o resultado mais negativo, com queda de 11,3%, influenciada principalmente pela maior presença de férias coletivas em unidades industriais de diferentes atividades.
A redução amazonense também foi a mais intensa desde março de 2024 e anulou completamente o crescimento de 1,7% registrado pelo estado durante maio.
Espírito Santo, São Paulo e Ceará também ficaram abaixo da média brasileira, com recuos respectivos de 3,4%, 3,2% e 2,9% na passagem mensal.
Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco e o conjunto da Região Nordeste completaram a relação de resultados negativos observados pelo instituto.
Na direção oposta, o Rio Grande do Sul avançou 3,7% e recuperou a perda acumulada nos dois meses anteriores, enquanto Bahia e Mato Grosso cresceram 2,7% e 1,6%.
Desempenho anual revela diferenças entre regiões
Quando junho de 2026 é comparado ao mesmo mês de 2025, oito dos 18 locais avaliados apresentaram expansão, apesar das perdas observadas em diversas regiões no confronto mensal.
Espírito Santo liderou os avanços anuais com alta de 12,2%, apoiado principalmente pelo desempenho das indústrias extrativas relacionadas a petróleo, minério de ferro e gás natural.
O Rio Grande do Sul apareceu logo depois, com crescimento de 10,5%, favorecido por atividades relacionadas a veículos, combustíveis, alimentos e fabricação de produtos metálicos.
Rio de Janeiro, Mato Grosso, Paraná, Goiás e Santa Catarina também superaram o crescimento nacional de 1,7%, enquanto Mato Grosso do Sul apresentou avanço mais moderado.
No acumulado do primeiro semestre, Espírito Santo alcançou expansão de 20,2% e Pernambuco avançou 10,9%, os dois maiores crescimentos entre os locais pesquisados.
Em sentido contrário, o Rio Grande do Norte acumulou retração de 13,1% entre janeiro e junho, com influência relevante da atividade ligada a derivados de petróleo e biocombustíveis.
Os resultados regionais mostram uma indústria marcada por trajetórias distintas em 2026, com crescimento expressivo em alguns estados e perda de produção persistente em outros.



