Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Alertas de desmatamento caem 18,9% no Cerrado em agosto

O Maranhão concentrou 36,5% da área sob alerta no Cerrado, participação bem superior à observada nos demais estados destacados pelo levantamento.

Os alertas de desmatamento no Cerrado recuaram em agosto de 2026 e também apresentaram queda quando a análise considera os três meses encerrados no período. Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) mostram redução tanto na comparação mensal quanto trimestral, enquanto a distribuição territorial revela forte concentração dos registros em alguns estados, especialmente no Maranhão.

Maranhão concentra maior parcela dos alertas no Cerrado

A distribuição dos registros mostra que o desmatamento não se espalha de maneira uniforme pelo bioma, já que o Maranhão respondeu por 36,5% da área identificada no período analisado.

Mato Grosso apareceu depois, com 15,5%, seguido por Tocantins, com 14,9%, Minas Gerais, com 8,3%, e Piauí, com 8,2%.

Essa concentração ajuda a direcionar operações de fiscalização porque o Deter funciona como uma ferramenta diária do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para localizar áreas que exigem resposta mais rápida.

Dentro desse quadro, agosto terminou com 238 km² sob alerta no Cerrado, volume inferior aos 294 km² observados no mesmo mês de 2025.

A diferença representa uma queda de 18,9% e colocou o resultado como o segundo menor já registrado para agosto desde o início da série do bioma, em 2018.

A leitura trimestral reforça essa melhora, pois o total entre junho e agosto caiu de 1.266 km² no ano passado para 1.150 km² em 2026.

A comparação corresponde a uma redução de 9,2%, o que mostra que o recuo não ficou restrito apenas ao desempenho de um único mês.

Fiscalização avança em diferentes frentes

O governo federal mantém planos de prevenção e combate ao desmatamento nos seis biomas brasileiros, com objetivo de chegar a zero até 2030.

Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ampliou em 63% o número de ações fiscalizatórias, que alcançaram 68 mil operações no período.

Os autos de infração cresceram 71% e chegaram a 23 mil registros, enquanto as multas aplicadas somaram R$ 10,3 bilhões.

As áreas embargadas atingiram 20.331 km², em uma estratégia que combina punição administrativa com restrições ao uso de territórios associados a irregularidades.

Outras políticas também passaram a integrar essa resposta, entre elas o Programa União com Municípios, que registrou redução de 42,3% no desmatamento entre 80 cidades atendidas.

A iniciativa direciona R$ 800 milhões a municípios considerados prioritários para ações de prevenção e controle ambiental.

O Bolsa Verde alcançou 86.987 famílias em unidades de conservação e assentamentos, com mais de R$ 370 milhões destinados ao programa.

Já o desmatamento relacionado ao garimpo apresentou queda de 41% entre 2023 e 2026, segundo os dados apresentados pelo governo.

Um cruzamento entre informações do Prodes e do Cadastro Ambiental Rural mostrou ainda que 1,8% dos mais de 8 milhões de imóveis rurais cadastrados apresentaram desmatamento em 2025.

O levantamento, porém, não diferencia ocorrências autorizadas daquelas consideradas ilegais, o que limita interpretações sobre a natureza das áreas identificadas.

Amazônia segue trajetória diferente no mês

A Amazônia apresentou comportamento distinto em agosto, com aumento de 12,1% nos alertas, que passaram de 319 km² para 358 km² em um ano.

Ainda assim, esse resultado ficou entre os menores da série para o mês, com o terceiro menor patamar desde 2016.

O Pará concentrou a maior parte da piora, depois que os registros passaram de 74 km² para 155 km², avanço de 109,4% na comparação anual.

Em resposta, o governo federal organizou uma força-tarefa com ICMBio, Ibama, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional.

Mesmo com essa alta mensal, a Amazônia registrou redução de 20,4% entre junho e agosto, com queda de 1.312 km² para 1.044 km².

O governo destaca que resultados de apenas um mês não bastam para definir tendência, enquanto o recorte trimestral mostra diminuição simultânea dos alertas nos dois biomas.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo