Saúde, Segurança e Meio Ambiente

Controle da hipertensão pode evitar mais de 518 mil mortes por ano

A baixa adesão ao controle da hipertensão contrasta com o potencial preventivo identificado pelos pesquisadores e revela espaço significativo para reduzir a carga de doenças cardiovasculares.

Pesquisadores associados à Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, estimaram que ampliar o controle da hipertensão poderia evitar mais de 518 mil mortes cardiovasculares por ano em 20 países. O trabalho comparou diferentes medidas preventivas e identificou na pressão arterial o maior potencial para reduzir óbitos entre as seis estratégias avaliadas.

Controle ainda alcança poucos pacientes

A análise mostra que somente cerca de um em cada cinco adultos com hipertensão nos países estudados mantinha a pressão arterial abaixo de 140 por 90 milímetros de mercúrio.

Essa cobertura limitada cria uma diferença expressiva entre o atendimento atualmente disponível e o número de mortes que poderiam ser evitadas com maior alcance do tratamento.

Os pesquisadores projetaram um cenário no qual aproximadamente 80% das pessoas elegíveis teriam acesso aos cuidados preventivos indicados para suas respectivas condições de saúde.

Nesse nível de cobertura, o controle adequado da pressão poderia evitar 518.476 mortes cardiovasculares anualmente, resultado superior ao calculado para qualquer outra intervenção analisada.

O impacto estimado ficou especialmente elevado entre países classificados nas faixas de renda média-alta e média-baixa, com mais de 223 mil mortes potencialmente evitadas em cada grupo.

Esse resultado reforça a relevância da hipertensão entre fatores modificáveis associados a doenças coronarianas, insuficiência cardíaca e outras complicações do sistema cardiovascular.

Estatinas e diabetes também concentram potencial

O uso adequado de estatinas apareceu logo depois da hipertensão entre as medidas com maior capacidade estimada para reduzir mortes cardiovasculares nos países incluídos.

A ampliação desse tratamento poderia evitar aproximadamente 340.682 óbitos anuais, enquanto somente 16% das pessoas com colesterol elevado utilizavam esses medicamentos.

O controle da glicemia entre pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 também apresentou impacto expressivo, com potencial para evitar cerca de 309.520 mortes cardiovasculares por ano.

Entre os indivíduos com diabetes avaliados, 39% permaneciam fora dos níveis considerados adequados pelas referências clínicas utilizadas pelos autores.

Os modelos também examinaram rastreamentos para câncer de cólon, mama e colo do útero, embora essas estratégias apresentassem menor cobertura nos países analisados.

O rastreamento do câncer de cólon teve o maior efeito entre essas três frentes, com estimativa de 206.767 mortes evitadas anualmente.

Resultados ainda precisam de validação científica

O estudo reuniu informações de bases internacionais, entre elas a Organização Mundial da Saúde e o Global Burden of Disease, além de parâmetros clínicos usados para definir metas de tratamento.

Os autores buscaram estimar quanto a mortalidade poderia diminuir caso uma parcela muito maior da população elegível recebesse cuidados preventivos já recomendados.

A própria análise reconhece limitações importantes, porque alguns países não possuíam informações completas sobre o uso de serviços preventivos e o modelo não definiu políticas específicas para ampliar o acesso.

As estimativas, portanto, medem o potencial associado a uma cobertura maior, mas não demonstram como cada sistema de saúde poderia alcançar esse patamar na prática.

Os resultados foram apresentados nas Sessões Científicas sobre Hipertensão de 2026 da American Heart Association, realizadas em Arlington, nos Estados Unidos.

Como o trabalho foi divulgado inicialmente em formato de resumo científico, as conclusões ainda não passaram por revisão por pares nem por publicação integral em periódico especializado.

Gabriele Noda

Colunista no segmento Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) | Gabriele Noda é Supervisora de Customer Success e possui mais de 8 anos de experiência no mercado industrial, o que a capacita a traduzir dados científicos em análises acessíveis sobre saúde, segurança e meio ambiente.

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