Tecnologia e Inovações

Coreia do Norte diz ter testado míssil com inteligência artificial

Coreia do Norte afirma que sistema de míssil com IA tomou decisões durante o voo, mas não apresentou provas técnicas independentes sobre o funcionamento da tecnologia anunciada.

A Coreia do Norte apresentou um novo teste de míssil como demonstração de uma tecnologia capaz de modificar decisões de navegação durante o próprio voo com auxílio de inteligência artificial. O lançamento ocorreu durante um exercício militar na região de Wonsan, sob supervisão de Kim Jong-un, em meio ao aumento das tensões militares entre Pyongyang, Seul e seus aliados.

Uso da IA permanece sem comprovação independente

A principal novidade anunciada pelo regime está no sistema de navegação, que teria capacidade para recalcular partes do percurso sem depender de comandos externos durante toda a operação.

Pyongyang sustenta que essa característica ganha importância em trechos realizados a menor altitude, nos quais mudanças sucessivas de direção poderiam dificultar o trabalho dos sensores adversários.

Nenhum detalhamento técnico divulgado até agora, porém, permite verificar de forma independente qual função a inteligência artificial realmente desempenhou durante o lançamento anunciado pelo governo norte-coreano.

Também não está claro quais decisões teriam ficado sob responsabilidade do software, quais parâmetros foram definidos previamente e quanto de autonomia existiu durante o voo.

A Coreia do Sul calculou que o projétil percorreu mais de 700 quilômetros antes de alcançar o mar, enquanto autoridades japonesas estimaram aproximadamente 680 quilômetros.

O Japão também informou que a queda ocorreu além de sua zona econômica exclusiva, elemento que reduziu o risco direto para áreas sob jurisdição econômica japonesa.

Pyongyang utilizou a diferença entre essas duas medições para sustentar que os sistemas de acompanhamento de Seul e Tóquio não teriam registrado integralmente a rota executada.

Essa interpretação constitui uma alegação norte-coreana e, por si só, não demonstra que a divergência entre os números tenha resultado de manobras controladas por inteligência artificial.

Novo projeto mira sistemas antimísseis

O regime classificou o equipamento como arma estratégica, denominação normalmente associada na Coreia do Norte a sistemas considerados relevantes para sua capacidade de dissuasão militar.

O termo, entretanto, não comprova isoladamente que o artefato testado carregasse uma ogiva nuclear ou estivesse configurado para essa finalidade durante o exercício.

A importância militar do projeto reside na tentativa declarada de tornar a trajetória menos previsível para radares e sistemas responsáveis pela interceptação de ameaças aéreas.

Alterações de direção e altitude podem aumentar a complexidade do acompanhamento, sobretudo quando diferentes sensores precisam trocar informações com rapidez para calcular um ponto provável de interceptação.

Esse tipo de desenvolvimento integra uma estratégia mais ampla de Pyongyang para diversificar seus vetores militares e aumentar as dificuldades enfrentadas pelas defesas posicionadas na região.

A Coreia do Norte já realizou mais de dez rodadas de testes de mísseis durante 2026, com sistemas de diferentes características, alcances e perfis de voo.

Poucos dias antes desse lançamento, o governo norte-coreano também anunciou um teste relacionado a uma tecnologia que classificou como hipersônica.

Parte dessas demonstrações militares foi apresentada pelo regime como resposta aos exercícios conduzidos em conjunto por Coreia do Sul e Estados Unidos.

Após o novo disparo, Seul elevou a vigilância e ampliou a troca de informações militares com autoridades dos Estados Unidos e do Japão.

O Comando do Pacífico estadunidense informou que o lançamento não representou ameaça imediata ao território dos Estados Unidos, às forças militares do país ou aos aliados regionais.

Carlos Aono

Colunista no segmento Tecnologia e Inovações | CTOO do Grupo Ideal Trends, é especialista em tecnologia e inovação há mais de 9 anos. Sua missão como colunista do portal é traduzir tendências tecnológicas em insights estratégicos para negócios e para a sociedade.

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