Aramco vê risco de catástrofe no mercado de petróleo com crise no Golfo
O bloqueio do estreito de Ormuz pode desencadear uma catástrofe no mercado de petróleo, segundo avaliação da Aramco. A empresa afirma que a redução no fluxo de navios-tanque já impacta o abastecimento mundial.
A Aramco, maior exportadora de petróleo do mundo, alertou para uma possível catástrofe no mercado de petróleo caso o estreito de Ormuz continue bloqueado. A interrupção, causada pelo conflito EUA-Israel com o Irã, já removeu milhões de barris do mercado, pressionando a economia global.
Impacto do fechamento do Estreito de Ormuz
O fechamento do estreito de Ormuz passou a gerar forte impacto no mercado global de petróleo, aumentando as preocupações sobre o abastecimento mundial de energia.
A rota marítima é considerada uma das mais importantes para o transporte de petróleo no planeta, sendo responsável por cerca de 20% do fluxo global da commodity.
Com a interrupção da passagem de navios-tanque pela região, a oferta internacional de petróleo foi reduzida, pressionando os preços para níveis que não eram observados desde 2022. O bloqueio ocorreu em meio ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A situação se agravou após a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ameaçar retaliar embarcações que tentassem atravessar o estreito, o que levou à diminuição significativa do tráfego de petroleiros na área.
Como consequência direta da restrição na oferta, o preço do petróleo chegou a atingir picos de US$ 119 por barril.
A alta no valor da commodity tem efeitos que vão além do setor energético, já que o aumento do custo do petróleo costuma impactar diretamente os preços da energia e de diversos produtos, ampliando pressões inflacionárias em diferentes economias ao redor do mundo.
Diante desse cenário, a Aramco, considerada a maior exportadora de petróleo do mundo, passou a adotar medidas para reduzir os efeitos da interrupção no estreito de Ormuz.
A empresa iniciou o redirecionamento de parte de suas exportações utilizando o oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, que conecta os campos petrolíferos do Golfo ao porto de Yanbu, localizado no Mar Vermelho.
O sistema possui capacidade para transportar até 7 milhões de barris por dia e está sendo utilizado no limite para compensar a perda da rota marítima.
Desse volume, cerca de 2 milhões de barris diários são destinados às refinarias do próprio país, enquanto aproximadamente 5 milhões seguem para exportação ao mercado internacional, o que representa cerca de 70% do volume normalmente exportado pelo reino.
Além da utilização do oleoduto, a Aramco também recorre a estoques estratégicos de petróleo armazenados fora da região do Golfo para atender parte da demanda de seus clientes.
No entanto, a empresa alertou que essas reservas são limitadas e não conseguem sustentar o fornecimento global por longos períodos.
A companhia afirmou que segue monitorando de perto a evolução da crise e avaliando alternativas para minimizar os impactos de um possível bloqueio prolongado no estreito de Ormuz, considerado um dos pontos mais sensíveis para o comércio global de energia.



