Economia e Negócios

IPCA de julho desacelera e fica em 0,07%

O resultado de julho mostra uma inflação mais contida, mas ainda marcada por diferenças importantes entre grupos de consumo e regiões pesquisadas pelo IBGE.

O IPCA de julho mostrou um cenário de forte contraste entre alimentação e despesas residenciais, com recuo em itens básicos e alta expressiva na conta de luz. A inflação ficou em 0,07% no mês, enquanto o acumulado em doze meses alcançou 4,44%, patamar inferior ao teto da meta do Banco Central, apesar de ainda permanecer acima do centro do objetivo.

Alimentos ajudam a reduzir o IPCA de julho

A inflação perdeu força em julho, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,07%, abaixo dos 0,16% registrados em junho, graças a uma queda relevante nos gastos com alimentação.

Dentro dessas despesas, as compras destinadas ao consumo doméstico tiveram redução de 1,14%, comportamento que ajudou a compensar aumentos observados em outras parcelas do orçamento familiar.

Entre os itens pesquisados, o tomate apresentou a retração mais intensa, com 29,09%, enquanto a batata-inglesa ficou 19,59% mais barata e a cenoura recuou 14,41%.

O café moído também contribuiu para esse movimento, com redução de 2,45%, enquanto leite longa vida e frutas seguiram direção contrária, com altas de 2,47% e 1,20%.

Fora de casa, entretanto, o consumidor encontrou preços maiores, pois esse segmento avançou 0,55% após registrar uma variação bem menor no levantamento anterior.

Nesse recorte, os lanches tiveram aumento de 0,76%, enquanto as refeições ficaram 0,42% mais caras no período considerado pelo levantamento do IBGE.

Conta de luz sustenta pressão sobre os preços

O comportamento favorável dos alimentos encontrou um contraponto nas despesas relacionadas à moradia, que apresentaram crescimento de 0,99% e tiveram forte influência sobre o resultado mensal.

A eletricidade residencial ocupou posição central nessa pressão, com elevação de 3,09% e contribuição de 0,13 ponto percentual para o índice calculado em julho.

Parte desse aumento esteve associada às revisões tarifárias de concessionárias que atendem consumidores de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba em diferentes momentos do período analisado.

Outro componente relevante foi a manutenção da bandeira amarela, mecanismo que acrescentou R$ 1,885 às faturas para cada 100 kWh utilizados pelos consumidores.

As despesas residenciais também receberam influência da taxa de água e esgoto, que avançou 0,40% após reajustes aplicados em algumas localidades pesquisadas pelo instituto.

Com forças opostas entre alimentação e moradia, o índice encerrou julho próximo da estabilidade, enquanto a inflação acumulada alcançou 3,44% no ano e 4,44% em doze meses.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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