Economia e Negócios

Brasil volta a negociar tarifas comerciais com o EUA

As tarifas comerciais atingem cerca de 47,3% da pauta brasileira destinada ao mercado estadunidense, enquanto aproximadamente 8,6 mil empresas aparecem entre as afetadas.

O governo brasileiro volta a negociar com os Estados Unidos em um momento no qual as novas tarifas já alteraram a previsibilidade para empresas exportadoras e aumentaram a pressão sobre a agenda bilateral. Com alíquotas de 25% e 12,5% aplicadas de forma cumulativa, a estratégia passa por tentar ampliar exceções, preservar setores competitivos e evitar que a disputa comercial ganhe uma dimensão ainda maior.

Brasil retoma diálogo após novas tarifas dos EUA

A aplicação de tarifas adicionais de 25% e 12,5% pelos Estados Unidos recolocou as relações comerciais com o Brasil no centro de uma negociação bilateral que havia avançado pouco durante o último ano.

Representantes dos dois governos voltam a discutir o tema nesta segunda-feira (31), em reunião virtual que terá participação dos ministros Márcio Elias Rosa e Mauro Vieira e do representante comercial americano Jamieson Greer.

As duas alíquotas anunciadas em julho são cumulativas, o que ampliou a pressão sobre parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos e aumentou a necessidade de novas tratativas comerciais.

A retomada das conversas ganhou impulso depois de um contato entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em meados deste mês.

Para esta nova etapa, a orientação brasileira prevê uma pauta ampla de discussões, embora o governo pretenda preservar os interesses nacionais diante das exigências apresentadas pela administração americana.

O histórico recente reduz as expectativas de uma solução imediata, pois as tratativas mantidas durante aproximadamente um ano não produziram avanços suficientes para impedir a adoção das novas tarifas.

Apesar do processo iniciado pelo Brasil para eventual aplicação da Lei de Reciprocidade, esse instrumento não deverá integrar a agenda prevista para a reunião desta segunda-feira.

Governo busca ampliar produtos fora da sobretaxa

A estratégia brasileira deverá priorizar a ampliação das exceções ao novo regime tarifário, alternativa que pode reduzir os efeitos das medidas americanas sem depender de uma retirada integral das cobranças.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que 52,7% da pauta brasileira destinada aos Estados Unidos não está sujeita às cobranças adicionais estabelecidas pelo governo estadunidense.

A parcela restante, equivalente a 47,3% das exportações destinadas ao mercado dos EUA, enfrenta algum nível de tarifa, cenário que alcança aproximadamente 8,6 mil empresas brasileiras.

Esse alcance empresarial aumenta a importância das negociações para setores que dependem do mercado americano, especialmente diante do impacto potencial das alíquotas sobre custos, competitividade e decisões comerciais.

A tentativa de incluir novos segmentos entre as exceções representa, portanto, uma das principais alternativas disponíveis ao Brasil para diminuir a exposição de exportadores enquanto as discussões bilaterais permanecem abertas.

Romário Martins

Colunista no segmento Economia e Negócios | Vice-presidente do Grupo Ideal Trends. Há mais de 19 anos, Romário tem ajudado empresas a alavancarem seu faturamento por meio da geração de demanda qualificada na web. Em sua trajetória, já ajudou a transforar o cenário de mais de 20.000 empresas.

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