Indústria e Tendências

União Europeia sinaliza retomada das compras de frango e mel do Brasil

Sinal europeu aproxima duas cadeias brasileiras da retomada comercial, mas não estende automaticamente o mesmo tratamento aos demais produtos de origem animal.

Frango e mel passaram a ocupar uma posição distinta dentro das restrições impostas pela União Europeia aos produtos brasileiros de origem animal, porque as verificações recentes deram respaldo técnico para uma possível reabertura dessas duas cadeias. O governo brasileiro recebeu essa indicação durante encontro em Milwaukee, nos Estados Unidos, no qual representantes europeus reconheceram avanços suficientes para levar o tema à próxima etapa decisória do bloco.

Auditorias colocam frango e mel mais perto da reabertura

O ponto central agora não está mais na demonstração de conformidade das duas cadeias, mas na transformação desse resultado técnico em autorização comercial dentro das instâncias europeias.

A análise conduzida no Brasil verificou práticas de controle aplicadas à produção e confirmou a proibição do uso de antimicrobianos com finalidade de estimular crescimento ou rendimento dos animais.

Esse resultado alterou a posição de frango e mel dentro do processo, porque ambos passaram a contar com uma base técnica favorável antes da decisão administrativa final.

O Ministério da Agricultura pediu que o relatório das inspeções seja levado ao Scopaff, comitê europeu responsável por examinar matérias sanitárias relacionadas a alimentos, animais e rações.

A reunião prevista para 20 e 21 de outubro tende a funcionar como o próximo ponto de definição para esses produtos brasileiros.

Até essa etapa, a sinalização feita pelo comissário europeu Maroš Šefčovič representa uma indicação positiva, mas ainda não autoriza empresas a retomar imediatamente os embarques.

Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços relacionaram essa mudança de perspectiva diretamente às conclusões obtidas nas avaliações recentes.

O encontro ocorreu à margem da agenda ministerial do G20 e serviu para aproximar o diálogo técnico das decisões comerciais que ainda precisam ser formalizadas no bloco europeu.

Carne bovina permanece fora desse mesmo avanço

O governo brasileiro tentou aproveitar o ambiente favorável para pedir que a carne bovina também receba uma avaliação mais rápida, mas esse produto ainda não alcançou o mesmo estágio regulatório.

A solicitação busca evitar que a reabertura fique restrita a frango e mel, embora não exista até agora uma decisão europeia equivalente para o segmento bovino.

Essa diferença decorre do modo como a suspensão foi aplicada desde 3 de setembro, quando o Brasil deixou a lista europeia de países reconhecidos como compatíveis com determinadas exigências sobre antimicrobianos.

A restrição atingiu várias categorias ao mesmo tempo, entre elas carnes bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos.

O avanço de duas cadeias, portanto, não produz efeito automático sobre todas as demais, porque cada grupo de produtos precisa cumprir etapas próprias antes de recuperar o acesso ao mercado europeu.

Para a carne bovina, o movimento brasileiro consiste justamente em tentar encurtar essa distância e obter uma análise que permita discutir sua reinclusão em prazo menor.

Na prática, a situação atual cria dois ritmos dentro da mesma disputa sanitária, com frango e mel já apoiados por auditorias recentes e bovinos ainda dependentes de uma avaliação específica.

O próximo teste será saber se a decisão técnica sobre as duas primeiras cadeias se converterá em autorização comercial e, depois, se esse precedente acelerará a análise dos demais produtos brasileiros.

Jéssica Rocha

Colunista no segmento Indústria e Tendências | Diretora de Operações com atuação direta em áreas Operacionais, Comerciais, de Marketing, Tecnologia, entre outras, sempre atenta às tendências globais que impactam a indústria, o mercado empresarial e a economia mundial.

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